Obama chega hoje a Israel com roteiro cuidadoso

Primeira visita oficial do presidente à Terra Santa busca reforçar mensagem de apoio a Tel-Aviv e driblar temas como ocupação de território palestino

ROBERTO SIMON, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2013 | 02h09

A Casa Branca já deixou claro que Barack Obama não puxará da cartola nenhuma grande iniciativa diplomática na viagem que inicia hoje à Terra Santa, sua primeira como presidente. Recados importantes, porém, estarão a todo momento nas entrelinhas. No itinerário de 51 horas de Obama entre Israel e a Cisjordânia, tudo tem calculadamente sentido político, da música que ele escutará à escolha dos estudantes na plateia quando discursar.

Logo ao desembarcar do Air Force One, por exemplo, Obama posará para uma foto com o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e o presidente Shimon Peres ao lado de uma bateria do sistema antiaéreo Domo de Ferro, especialmente levada ao aeroporto. O escudo antimíssil de US$275 milhões, pago pelos EUA, abateu 80% dos foguetes disparados da Faixa de Gaza no conflito de novembro.

Começar o tour por Israel, disse a Casa Branca, é uma forma de enviar uma mensagem "inequívoca" de união - e driblar temas mais espinhosos, como o diálogo de paz. Segundo analistas ouvidos pelo Estado, dificilmente Obama falará sobre a ocupação, omissão que está irritando palestinos (mais informações nesta página).

Do aeroporto, o presidente irá à residência de Peres, onde escutará crianças cantarem uma canção em hebraico, árabe e inglês (no jantar de gala, amanhã, a música ficará a cargo de uma cantora iraniana-israelense). Depois, Obama se reunirá privadamente por cinco horas com Netanyahu.

Em vez da Cidade Velha de Jerusalém, território ocupado por Israel em 1967, o presidente visitará o museu onde estão os Manuscritos do Mar Morto, uma forma de reconhecer os laços milenares do povo judeu com a terra de Israel. Obama depositará flores nos túmulos do fundador do sionismo, Theodor Herzl, e do premiê assassinado Yitzhak Rabin, mas não na Mukata, em Ramallah, onde jaz o palestino Yasser Arafat.

Estudantes de todas as universidades de Israel foram escolhidos para escutar Obama discursar - menos os da única faculdade situada em um assentamento, o de Ariel, na Cisjordânia.

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