Obama chora e dá apoio a famílias

Presidente, porém, evitou apresentar propostas que levem ao controle de armas

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2012 | 02h00

Com lágrimas nos olhos, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi além de apresentar condolências aos familiares das vítimas da tragédia de Newtown. Obama, depois de ter oferecido ao governo de Connecticut todos os recursos federais disponíveis para ajudar nas investigações do crime, assinalou ter chegado o momento de a nação adotar medidas para prevenir novos massacres no país.

"Como país, nós passamos por isso muitas vezes. Quer se trate de uma escola primária de Newtown, de um shopping center no Oregon, de um templo em Wisconsin, de uma sala de cinema em Aurora, de uma esquina em Chicago. Esses bairros são nossos bairros, e essas crianças são nossos filhos", afirmou o presidente, enquanto enxugava as lágrimas com os dedos.

"Nós vamos ter de nos unir e tomar medidas significativas para evitar mais tragédias como esta, independentemente da política", completou Obama.

Em seu curto pronunciamento, Obama preferiu não apresentar propostas. Mas, desde sua posse em 2009, uma das medidas ainda esperadas de seu governo é a adoção de controle federal sobre a venda de armas e de munições em todo o país.

Trata-se de uma iniciativa repudiada pela poderosa Associação Nacional do Rifle e por setores dos dois partidos do país, além de impopular nos redutos de maioria anglo-saxã.

Apenas neste ano, dois outros grandes massacres ocorreram no país.

Em julho, em Aurora, no Colorado, 12 pessoas foram mortas e outras 58 foram feridas durante o ataque armado de James Eagan Holmes, um ex-estudante de pós-graduação de 24 anos.

No mês seguinte, em Oak Creek, no Estado de Wisconsin, um atirador matou sete pessoas e feriu outras três em um templo sikh.

Ambas as tragédias se deram durante a campanha eleitoral americana. Obama e seu então opositor, o republicano Mitt Romney, expressaram condolências, mas não chegaram a defender o controle do comércio de armas de fogo.

Obama fora informado da tragédia pouco depois das 10 horas de ontem (13 horas de Brasília) pelo seu conselheiro de Segurança Nacional, Tom Donilon.

Em telefonema para o governador de Connecticut, Dannel Malloy, prestou condolências e colocou os recursos federais à disposição para a investigação do episódio, o cuidado às vítimas e a assistência às suas famílias. Depois, conversou com o diretor do FBI, Robert Muller.

No momento em que falou à nação, não tinha sido ainda divulgada nenhuma motivação para o crime. Obama adotou um tom paternal. Não mencionou o autor do massacre, também morto, e concentrou-se nas suas vítimas. Como afirmou, não estava se dirigindo ao país apenas como o presidente, mas também como um pai.

"Eu sei que não há na América um pai que não esteja sentindo a tristeza que sinto. A maioria dos que morreram hoje eram crianças, lindas criancinhas entre 5 e 10 anos", afirmou.

"Nossos corações estão partidos hoje", completou, para lembrar em seguida que teria o privilégio de abraçar suas filhas de noite. "Há famílias em Connecticut que não poderão fazer isso."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.