Obama cobra de aliados compromisso no Afeganistão

Em cúpula da Otan, presidente tenta manter a França engajada e fazer os países membros arcarem com metade do gasto anual

DENISE CHRISPIM MARIN , ENVIADA ESPECIAL / CHICAGO, O Estado de S.Paulo

21 Maio 2012 | 03h03

Sob o Sob o risco de perder aliados no front afegão e de ver os EUA arcarem com a maior parte dos gastos no Afeganistão quando o fim da guerra for declarado, o presidente americano, Barack Obama, abriu ontem a reunião de cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) alertando para os "dias difíceis" que vêm pela frente. O encontro será encerrado hoje, em Chicago, com a perspectiva de manter a França engajada em operações especiais não militares no Afeganistão a partir de 2013.

O secretário-geral da Otan, Anders Rasmussen, afirmou que "não haverá correria para a saída" do Afeganistão. Na sexta-feira, o presidente da França, François Hollande, confirmara a Obama sua promessa de retirar seus 3.400 soldados do Afeganistão até o final do ano. A Holanda e o Canadá já retiraram seus militares do país.

Os 28 líderes de países membros da Otan e cerca de 30 chefes de Estado convidados esperam entregar hoje um plano detalhado sobre a retirada total dos 130 mil militares da coalizão comandada pelos EUA no Afeganistão até o final de 2014, a transferência gradual da responsabilidade pela segurança afegã a suas autoridades e o período pós-2014, quando Cabul enfrentará os insurgentes do Taleban com as próprias forças. A tarefa em Chicago, resumiu Obama, será fechar o plano e colocá-lo em prática.

Os três passos desse plano, porém, apresentam grandes dificuldades. A pressa da França em retirar suas forças militares pode estimular outros países a seguir o mesmo caminho. A formação dos quadros de segurança no Afeganistão está atrasada. Os EUA também esperam extrair de seus 27 aliados na Otan o compromisso de cobrir ao menos a metade do gasto anual de US$ 4,1 bilhões estimado para o período pós-guerra. Os países europeus membros da Otan resistem em oferecer, juntos, mais de US$ 1,3 bilhão.

Ao final do encontro de ontem, Rasmussen se disse "otimista" em alcançar os US$ 4,1 bilhões. Insistiu ainda no compromisso da Otan de treinar, apoiar e aconselhar as forças afegãs após a retirada dos militares da coalizão. Hoje, segundo ele, Cabul tem capacidade de cuidar da segurança da metade do território afegão. "Não vamos abandonar o Afeganistão."

Paquistão. Paralelo a esse plano, os EUA pretendiam fechar em Chicago um acordo sobre o uso de rotas no Paquistão para o suprimento das tropas da Otan no front afegão. As estradas foram fechadas por Islamabad em novembro, quando um ataque aéreo da coalizão matou 24 soldados paquistaneses.

Obama convidou o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, para a reunião da Otan como meio de contornar o impasse. Mas, até a noite de ontem, ele não havia mantido nenhuma conversa particular com Obama.

Em Washington, o Paquistão é tido como país-chave para garantir a segurança e a estabilidade do Afeganistão e para permitir o fim definitivo da guerra civil no país.

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