Obama cobra investigação sobre vínculos de Paquistão

Evitando acusar diretamente o governo do Paquistão de ter conhecimento da presença de Osama bin Laden em seu território durante quase sete anos, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou ser preciso investigar o possível envolvimento de alguma autoridade da administração paquistanesa com o líder da Al-Qaeda.

GUSTAVO CHACRA, Agência Estado

08 de maio de 2011 | 23h33

"Bin Laden teve alguma forma de apoio no Paquistão, mas não sabemos se era alguém de dentro do governo ou alguma pessoa de fora e isso é algo que precisamos investigar. Mais importante, o governo do Paquistão necessita investigar", disse Obama, em entrevista à TV CBS.

Obama acrescentou ainda na entrevista que os 40 minutos em que acompanhou o ataque dos Seals foram "os mais longos" da vida dele, tirando a vez que sua filha Sasha teve uma doença grave aos três meses de idade. Segundo o presidente, chance de sucesso era "55 a 45" na operação e havia divisão entre seus assessores sobre qual a melhor alternativa. "Não podíamos dizer com segurança que Bin Laden estava lá (na casa no Afeganistão). Se não estivesse, haveria conseqüências sérias", afirmou na sua primeira entrevista desde a ação contra o líder da Al Qaeda.

O governo paquistanês comprometeu-se a investigar se membros da administração sabiam que Bin Laden, morto há uma semana em uma operação militar dos EUA em Abbottabad, no Paquistão, estava no país. Amanhã, o premiê Yusuf Raza Gilani realizará um pronunciamento oficial para a nação no Parlamento em Islamabad, no qual apresentará a versão oficial do governo sobre a operação americana que resultou na morte do terrorista saudita. Será a primeira vez que o governo paquistanês se manifestará publicamente sobre o episódio, que provocou uma crise interna no país.

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