AP Photo/Pablo Martinez Monsivais
AP Photo/Pablo Martinez Monsivais

Obama cobra solução pacífica a China e Asean

Em visita ao Laos, presidente americano faz apelo por negociação para resolver disputas marítimas entre Pequim e diversos países da região

O Estado de S. Paulo

08 de setembro de 2016 | 21h08

VIENTIANE, LAOS - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu nesta quinta-feira, 8, que uma “solução pacífica” seja encontrada na disputa territorial entre China e vários países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

Obama fez o apelo durante uma entrevista coletiva após a conclusão da cúpula que o grupo regional realizou em Vientiane, capital do Laos, e, além da presença do presidente americano, contou com a participação do primeiro-ministro Chinês, Li Keqiang.

Obama ressaltou o caráter “vinculante” da decisão do Tribunal Permanente de Arbitragem (TPA), que em julho decidiu contra as reivindicações do governo em Pequim no Mar do Sul da China perante o pedido interposto pelas Filipinas.

Ele pediu a “não militarização” da região e para que seja evitado “ocupar” ilhas e atóis despovoados que são o centro das disputas entre China com Filipinas, Malásia, Brunei e Vietnã, além de Taiwan. 

A China reclama para si a maior parte desse mar, pelo qual mais de US$ 5 trilhões de mercadorias circulam anualmente. 

A China rejeitou essa decisão, que tachou de nula e ilegal, e reivindica quase a totalidade desse estratégico espaço marítimo, fundamental para o transporte de mercadorias, com grandes áreas de pesca e potenciais jazidas de petróleo e gás.

Os incidentes entre guarda costeira e pescadores aumentaram nos últimos anos nessa zona, assim como a militarização pela construção por parte chinesa de instalações de uso militar em diversas ilhotas.

A Asean e a China se reuniram ontem paralelamente à cúpula e, depois, Li Keqiang declarou a vontade do governo chinês de trabalhar com o bloco para “dissipar interferências”, em alusão aos Estados Unidos, e resolver as disputas territoriais de forma bilateral. 

A reunião com a China foi precedida pela publicação, em Manila, de fotos que mostravam a presença de navios chineses no Atol de Scarborough, foco da disputa na Corte de Haia.

Asean e Pequim reiteraram em Vientiane seu compromisso com a elaboração do marco de um código de conduta – negociado desde 2010 – para dirimir conflitos de forma pacífica. 

Neutralidade. Em Pequim, o governo da China pediu neutralidade a Obama sobre o assunto. Em entrevista coletiva, uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Hua Chunying, pediu que os EUA tenham um papel “construtivo” no conflito. 

“Esperamos que os Estados Unidos desempenhem um papel objetivo e justo na questão do Mar da China Meridional (Mar do Sul da China) e façam esforços positivos, genuínos e construtivos para a paz e a estabilidade do Mar da China Meridional”, afirmou a porta-voz.

Hua lembrou a rejeição da China à mediação na Corte de Haia sobre o caso. “O Tribunal de Arbitragem não tem jurisdição sobre o caso, por isso a sentença que emitiu é inválida e ilegal”, afirmou.

A porta-voz da diplomacia chinesa garantiu também que as autoridades americanas manifestaram que não se posicionariam sobre a disputa e apoiariam o diálogo entre as partes envolvidas. / EFE

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