David Richard/AP
David Richard/AP

Obama começa campanha em ônibus com ataque ao protecionismo chinês

Presidente dos EUA anunciou a abertura de uma controvérsia na OMC contra tarifas de Pequim

Denise Chrispim Marin, correspondente em Washington,

05 de julho de 2012 | 19h11

WASHINGTON - A guerra comercial contra China entrou nesta quinta-feira, 5, na corrida presidencial nos EUA. Em campanha em um dos terrenos decisivos para sua reeleição, o Estado de Ohio, o presidente americano, Barack Obama, anunciou a abertura de uma controvérsia na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas antidumping e anti-subsídios aplicadas por Pequim sobre a importação de veículos feitos nos EUA desde o final de 2011.

Veja também:

video Obama faz primeira viagem pela reeleição

blog O sapo enterrado e a teimosia de Obama

O local do anúncio foi a cidade de Toledo, a primeira parada do périplo em ônibus pelos Estados de Ohio e Pensilvânia. Em Toledo está a unidade da Chrysler, fabricante dos jipes Wrangler e Liberty, ambos afetados pelas medidas de defesa comercial. A China as aplicou por entender o pacote do governo dos EUA de socorro à indústria automotiva, de 2009, como um subsídio e meio de reduzir os preços dos veículos. Rival de Obama, o republicano Mitt Romney critica essa ajuda. "Os americanos não estão com medo de competir. Enquanto estivermos competindo em um campo justo, em vez de um campo desleal, vamos fazer muito bem", disse Obama diante de cerca de 500 moradores de um bairro de classe média de Toledo.

Obama percorrerá 400 quilômetros em Ohio e Pensilvânia em dois dias. Nenhum desses Estados é comprometido com os partidos americanos. Por isso, tradicionalmente, ambos são considerados decisivos nas eleições. Na Pensilvânia, Obama está em situação mais confortável, com 47,5% das intenções de voto, segundo o Real Clear Politics, enquanto Romney tem 39,5%.

Ohio, com 18 delegados no Colégio Eleitoral, é desafiador para ambos. Obama tem 46,2% das intenções de voto, e Romney vem logo atrás com 43,6%. Nesse terreno, sede de uma forte indústria de autopeças, o discurso de Obama tende a ecoar, assim como alguns de seus gestos eleitoralmente calculados.

O Departamento de Trabalho dos EUA deverá divulgar nesta quinta-feira, 6, a taxa nacional de desemprego de junho. A expectativa é de um resultado um pouco melhor do que o de maio, de 8,2%, pela criação de 179 mil postos de trabalho no mês passado, acima do esperado.

Em sua jornada de ônibus em Ohio, Obama parou no mercado da fazenda Bergman Orchads, produtora de frutas e vegetais desde 1859. Apertou as mãos, perguntou o nome de cada pessoa presente e comprou milho verde, morangos e pêssegos por US$ 22,70 (R$ 45,84). Apesar o preço salgado, alegou ter feito "um bom negócio". "Você sabe que nós temos uma pequena plantação de milho no jardim da Casa Branca?", comentou ao vendedor. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.