Aly Song/Reuters
Aly Song/Reuters

'Obama cometeu grande erro' ao pressionar por sanções, diz Ahmadinejad

Presidente iraniano diz que resoluções do Conselho de Segurança da ONU não terão efeito

Agência Estado

11 de junho de 2010 | 09h27

XANGAI - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, criticou nesta sexta-feira, 11, o presidente americano, Barack Obama, após o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovar, na quarta-feira, uma quarta rodada de sanções contra o país persa em razão de seu programa nuclear. "Eu penso que o presidente Obama cometeu um grande erro. Ele sabe que a resolução não terá efeito", afirmou. "Logo ele entenderá que não tomou a decisão correta e bloqueou o caminho para ter laços amigáveis com o povo iraniano", disse o iraniano. 

 

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Falando durante uma visita à Expo Xangai, Ahmadinejad disse que a resolução aprovada com o apoio chinês e russo é um "documento sem valor". O líder acusou as potências de tentar "monopolizar" a tecnologia nuclear e afirmou que os EUA estão tentando "engolir" o Oriente Médio.

 

Para o presidente iraniano, as novas resoluções "não têm efeito" e representam, "a mais recente demonstração de poder" do Conselho de Segurança, ao que acusou de tentar monopolizar a energia nuclear, já que seus membros permanentes são todas potências nucleares.

 

Ahmadinejad preferiu visitar o pavilhão de seu país durante o "Dia do Irã" na Expo Xangai em vez de comparecer a um encontro de segurança regional no Usbequistão com a presença dos líderes de China e Rússia. Os presidentes Hu Jintao, da China, e Dmitri Medvedev, da Rússia, estavam em Tashkent nesta sexta para o encontro da Organização para a Cooperação de Xangai. Essa entidade deve recusar hoje o pedido de Teerã para passar a integrá-la, indicou o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov.

 

A China, que tem um assento permanente no Conselho de Segurança, com poder de veto, vinha resistindo a novas sanções ao Irã, mas acabou apoiando a punição na quarta-feira. O governo iraniano chegou a criticar duramente Pequim pela mudança de posição. "O grande problema é a administração dos EUA. Nós não temos problema com os outros", disse Ahmadinejad.

 

O Irã alega ter apenas fins pacíficos no seu programa nuclear, mas potências lideradas pelos EUA temem que o país busque secretamente armas nucleares. "Está claro que os Estados Unidos não são contra bombas nucleares, porque eles têm um regime sionista com bombas nucleares na região", afirmou Ahmadinejad, referindo-se a Israel. "Eles estão tentando salvar o regime sionista, mas ele não sobreviverá. Ele está condenado."

 

Ahmadinejad disse que repetiu diversas vezes que o Conselho de Segurança é "uma ferramenta nas mãos de Washington. Não é democrático, é uma ferramenta de ditadura". Segundo ele, os cinco países com poder de veto - EUA, China, Rússia, Reino Unido e França -, todos potências nucleares, querem "monopolizar a energia nuclear para eles mesmos". As informações são da Dow Jones.

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