U.S. Army/Handout via REUTERS
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Obama concede perdão presidencial a fonte que repassou segredos para WikiLeaks

Fundador do WikiLeaks, Julian Assange disse recentemente que se entregaria para extradição nos Estados Unidos caso Chelsea recebesse o perdão presidencial; ela será libertada em maio

O Estado de S. Paulo

17 Janeiro 2017 | 19h32

WASHINGTON - A Casa Branca anunciou nesta terça-feira, 17, que o presidente Barack Obama comutou a sentença de 35 anos da soldado Chelsea Manning – fonte do vazamento de segredos de Estado para o Wikileaks em 2010. A soldado será libertada em 17 de maio. 

Entidades de direitos humanos e de liberdade de expressão vinham pressionando por um alívio na sentença de Chelsea, que se chamava Bradley e trocou de sexo após o escândalo do WikiLeaks, e vive em isolamento numa prisão militar. Chelsea Manning cumpre uma sentença de 35 anos de prisão em isolamento por ter fornecido 700 mil documentos secretos do Departamento de Estado americano. 

Os defensores dela tinham a esperança de que Obama concedesse o indulto antes de deixar o cargo, ainda que a Casa Branca tenha declarado que o presidente não perdoaria a militar. Chelsea já cumpriu 6 anos de sua pena por traição. 

Chelsea tinha um recurso pendente na Justiça militar americana e já aceitou que repassou propositalmente o material enquanto serviu no Iraque, ao mesmo tempo em que lidava com um conflito de identidade de gênero. 

Internamente, o Pentágono considera o perdão a melhor saída para a situação diante da dificuldade da Justiça militar em lidar com o caso de Chelsea. Ela tentou se matar duas vezes na prisão. 

Nos últimos dias, a Casa Branca vinha dando sinais de que poderia conceder perdão à soldado e diferenciou o caso dela do de Edward Snowden, que revelou ao mundo os segredos de espionagem da NSA e vive hoje asilado na Rússia. 

“São dois casos completamente diferentes”, disse o porta-voz da Casa Branca Josh Earnest. “Chelsea Manning passou pela Justiça Militar, obedeceu ao processo legal e foi condenada, reconhecendo seus erros. O senhor Snowden fugiu e buscou refúgio em um país que recentemente não poupou esforços em afetar nossa democracia. 

Apesar da retórica que tenta diferenciar ambos, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, disse recentemente que se entregaria para extradição nos Estados Unidos caso Chelsea recebesse o perdão presidencial. 

Foi o WikiLeaks o responsável não só pela divulgação de segredos do Departamento de Estado quando Chelsea Manning era analista de inteligência militar como também pelo vazamento de e-mails do Comitê Nacional Democrata (DNC) no ano passado, com auxílio russo. 

“Se Obama conceder o indulto a Manning, Assange aceitará uma extradição para os Estados Unidos, apesar de ser um caso claramente inconstitucional por parte do Departamento de Justiça dos Estados Unidos", disse o WikiLeaks na semana passada. 

Segundo a Casa Branca, Obama diminuiu a pena outros 209 presos como um dos últimos atos no cargo. Destes, 64 deixarão a prisão, entre eles o general James Cartwright, acusado de perjúrio em uma investigação sobre o vazamento de informações presidenciais./ NYT e AP   

 

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