Obama condena discurso 'odioso' de Ahmadinejad na ONU

Falando à BBC, ele classifica de 'imperdoável' afirmação de que governo americano fosse o mentor do 11 de setembro.

BBC Brasil, BBC

24 de setembro de 2010 | 16h18

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, descreveu como "odiosa" e "ofensiva" a declaração de seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, de que a maioria das pessoas acreditava que o próprio governo americano teria planejado os ataques de 11 de setembro de 2001.

A afirmação de Ahmadinejad, feita na quinta-feira durante um debate na Assembleia Geral da ONU, fez com que muitos diplomatas americanos e de outros países deixassem o local, em protesto.

Em entrevista à TV BBC Persa, transmitida no Irã e no Afeganistão, Obama criticou ainda o fato de o líder afegão ter feito a alegação em Nova York, onde morreu a maioria das três mil vítimas dos atentados.

"Foi ofensivo. Foi odioso. Principalmente por ele ter feito essa declaração aqui em Manhattan, apenas um pouco ao norte do Marco Zero, onde famílias perderam pessoas queridas: famílias de todas as crenças e etnias que veem esse dia como a maior tragédia dessa geração. Fazer essa afirmação foi imperdoável", disse Obama.

Ahmadinejad sugeriu que Washington teria "orquestrado os ataques para reverter o declínio da economia americana e sua influência no Oriente Médio, para salvar o regime sionista". Ele se refere assim a Israel.

'Diferenças'

Apesar de condenar Ahmadinejad, Obama reafirmou o compromisso dos EUA em ajudar a população do Irã, que, segundo ele, não reagiu como o presidente ao atentado de 11 de Setembro.

"Os iranianos fizeram vigílias e expressaram compaixão", disse Obama. "Isso mostra, mais uma vez, a diferença entre a maneira como pensa a liderança do país e maioria da população, que é respeitosa e que se importa com esses assuntos."

Segundo a analista de diplomacia da BBC Bridget Kendall, Obama quis passar uma mensagem aos iranianos de que Ahmadinejad é um problema e não haverá uma solução para esse problema, a não ser que ele passe a se comportar ou que o povo o retire do poder.

Questão nuclear

Durante a entrevista, o presidente americano também defendeu a aplicação de sanções internacionais contra o regime iraniano, inclusive as novas medidas adotadas pela ONU no início do ano.

Os EUA temem que o programa de enriquecimento de urânio do Irã possa levar o país a desenvolver armas atômicas, alegação negada por Teerã.

"Não se trata de os EUA imporem punições aos iranianos. E, sim, de o governo iraniano estar traindo os interesses de seu próprio povo, fazendo com que fiquem ainda mais isolados", afirmou Obama, que lembrou ainda que países como a Rússia e a China também apoiaram as sanções.

"A maioria dessas sanções tem como alvo o regime e os militares. Acreditamos que, com o tempo, o governo iraniano passe a refletir e diga para si mesmo: 'Esse não é o melhor caminho para o nosso povo, nem para o nosso país'".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.