Pablo Martinez Monsivais / AP
Pablo Martinez Monsivais / AP

Obama condena provocações e diz que alvo dos EUA é o terror, não o Islã

Presidente defende, em entrevista, ao mesmo tempo em que tenta reduzir as pressões internas anti-islâmicas e faz questão de esclarecer que é cristão, após pesquisa indicar que muitos americanos pensam que ele é muçulmano

Denise Chrispim Marin CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2010 | 00h00

Diante das crescentes manifestações de islamofobia nos EUA, o presidente Barack Obama precisou ontem reforçar publicamente que professa a fé cristã e seu país não está em guerra contra o Islã, mas contra o terrorismo.

Em entrevista coletiva, na Casa Branca, Obama condenou atitudes internas de provocação às "paixões de bilhões de muçulmanos", em referência à proposta de um pastor evangélico da Flórida de queimar exemplares do Alcorão amanhã.

Também voltou a defender a construção de um centro islâmico em Nova York, perto de onde estavam as Torres Gêmeas, destruídas nos atentados de 11 de setembro de 2001. "Não estamos em guerra contra o Islã. Estamos em guerra contra organizações terroristas que distorceram o Islã ou que falsamente usaram as bandeiras do Islã para engajar-se em atos destrutivos", afirmou.

"Este país está embasado na noção de que todos os homens e mulheres são iguais, têm direitos inalienáveis e um deles é praticar livremente suas religiões. Isso significa que, se você pôde construir uma igreja em um lugar, uma sinagoga, um templo hindu e, então, você deve ser capaz de construir uma mesquita neste lugar", completou, referindo-se à polêmica em torno do centro islâmico de Nova York.  

 

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Em cada oportunidade, Obama tentou reduzir as pressões internas antimuçulmanas. Ele chegou a mencionar que uma das atitudes que mais admirou no seu antecessor, o republicano George W. Bush, foi sua clareza em dizer à nação que a guerra desatada depois do 11 de Setembro não tinha o Islã como alvo. Ressaltou ainda que, enquanto estiver na presidência dos EUA, fará tudo para que os americanos se lembrem que "nós somos uma nação crente em Deus", que sempre poderá ser chamado "por nomes diferentes".

"Como uma pessoa apegada fortemente à fé cristã, entendo as paixões que a fé religiosa pode insuflar", declarou, tentando acabar com as dúvidas sobre sua religião. Pesquisa do Pew Research Center, de agosto, mostra que 18% dos americanos creem que Obama é muçulmano, 34% dizem que ele é cristão e 34% não sabem qual é a religião dele.

A polêmica religiosa em torno da construção do centro islâmico em Nova York ganhou contornos de crise ainda mais grave nesta semana com o anúncio do até então pouco conhecido pastor evangélico da Flórida Terry Jones, líder da igreja Dove World Outreach Center (Alcançar a paz no mundo), de queimar hoje exemplares do Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos. Após intensa pressão por parte do governo americano, ele disse na quinta-feira que suspenderia seu plano em troca da desistência dos muçulmanos de construir o centro em Nova York. Líderes islâmicos, porém, desmentiram o acordo.

 

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