Obama consolida cerco ao Irã

Com a revelação na sexta-feira de que o Irã está construindo uma usina nuclear clandestina na cidade de Qom, o presidente Barack Obama pode ter consolidado sua maior jogada no tabuleiro da política internacional desde que assumiu o governo. Washington, em um só movimento, cercou a peça-chave da oposição no Conselho de Segurança (CS) da ONU: a Rússia. Isolado, o peão chinês não deverá resistir à pressão por novas sanções contra Teerã.

AE, Agencia Estado

27 de setembro de 2009 | 09h49

A negociação segue em Genebra na quinta-feira, quando os cinco membros do CS e a Alemanha se reúnem com o Irã. "Se os russos apoiarem as medidas, será, sem dúvida, a mais dramática realização da política externa de Obama", disse ao Estado Robert Jervis, professor de relações internacionais da Universidade Columbia. Ao trazer à tona neste momento a nova instalação nuclear secreta, a Casa Branca tornou o Irã o "desafio mais urgente", defende Jervis. "Mais do que Afeganistão e o Iraque", completa.

O esforço diplomático que culminou na revelação de sexta, porém, teve início pouco após Obama assumir. Cumprindo sua promessa de campanha de "diálogo direto", o presidente discursou a redes de TV iranianas em março, na ocasião do ano-novo persa, o Norwuz, prometendo "estender a mão". Ao mesmo tempo que livrou o caminho para o diálogo, Obama estabeleceu setembro como data-limite para que o regime dos aiatolás abrisse suas instalações à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Em junho, o presidente manteve-se praticamente calado - a despeito da ira de republicanos -, enquanto milhões de iranianos saíam às ruas contra a suposta fraude eleitoral que reelegeu Mahmoud Ahmadinejad.

A vitória de Ahmadinejad e a intransigência de Teerã teriam levado os EUA a adotar medidas adicionais. A principal delas veio no último dia 18, quando Obama engavetou o projeto de escudo antimíssil do governo George W. Bush. O plano era considerado por Moscou uma ameaça direta à sua segurança.

"Certamente o fim do escudo antimíssil de Bush - um movimento absolutamente correto do ponto de vista militar - fez a Rússia se inclinar ao diálogo", disse Jervis. Antes disso, Obama havia anunciado que insistiria no tema da proliferação nuclear nas reuniões da Assembleia-Geral da ONU e do G-20, realizadas na semana passada. Armado o palco, faltava aos EUA cortejar Rússia e China. Para Ali Pedram, da Universidade Durham, o vínculo entre Rússia e Irã tem forte dimensão política. A relação Pequim-Teerã, por sua vez, seria quase restrita ao comércio. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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