Obama convoca Congresso a aprovar reforma na saúde

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conclamou o Congresso de seu país, em discurso na noite de ontem, a aprovar uma ampla reforma do sistema de saúde. O líder americano declarou-se a favor da opção de o governo entrar no mercado de seguros de saúde para competir com a iniciativa privada, mas afirmou estar aberto a boas ideias de ambos os partidos. Segundo ele, há acordo com relação a 80% do que deve entrar na nova lei. "Mas, ao invés de assistirmos a um debate honesto, o que vemos são táticas de amedrontamento", disse Obama, dirigindo-se à oposição republicana. "Acabou o tempo dos joguinhos políticos. Chegou o momento de agir e ajudar milhões de pessoas" que têm seguro de saúde e tantas outras que ainda não possuem, prosseguiu o líder americano.

RICARDO GOZZI, Agencia Estado

10 de setembro de 2009 | 08h04

"Eu não sou o primeiro presidente a levantar esta causa, mas estou determinado a ser o último", declarou Obama no discurso, transmitido ao vivo pelas principais emissoras de televisão dos EUA. "Já faz quase um século desde que Theodore Roosevelt pediu pela primeira vez a reforma na saúde. E desde então, quase todos os presidentes, democratas e republicanos, tentaram de alguma maneira enfrentar esse desafio", disse Obama. De acordo com ele, a opção pública seria apenas uma alternativa a mais. "Permitam-me ser claro: (a opção pública) será apenas uma alternativa a quem não tem seguro. Ninguém será obrigado a ficar com ela e também não haverá nenhum impacto com relação a quem já possui seguro", enfatizou.

O discurso ocorre em um momento em que a popularidade de Obama está em queda, a oposição republicana encontra-se na ofensiva e os aliados democratas do presidente mostram-se divididos quanto ao tipo de reforma a levar adiante. O local escolhido para o discurso dá uma noção da importância do tema. Além do pronunciamento anual sobre o Estado da União, é raro um presidente americano falar em sessão conjunta do Congresso.

A situação da saúde no país torna-se decisiva para Obama apenas nove meses depois de ele ter assumido o cargo em meio a enormes expectativas dentro e fora dos EUA. Analistas acreditam que o resultado da reforma do sistema de saúde determinará se ele tem ou não poder político para levar adiante propostas a temas como mudanças climáticas, controle de armas e a guerra no Afeganistão. A expectativa é de que o sucesso ou o fracasso de Obama em sua iniciativa para reformar o sistema de saúde seja determinante também para as eleições legislativas de meio de mandato, que ocorrerão no segundo semestre de 2010.

Obama lembrou das dificuldades das cerca de 36 milhões de pessoas nos EUA que não têm nenhuma cobertura de saúde. "Nosso fracasso coletivo em enfrentar esse desafio nos levou ao limite. Todo mundo entende a carga extraordinária colocada sobre os que não têm seguro-saúde, que ficarão à beira da falência se sofrerem um acidente ou uma doença. Essas são pessoas de classe média americana", declarou. As informações são das agências internacionais.

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