Obama cria ''ciber-czar'' para segurança virtual

Alto funcionário deverá combater ataques online, que custaram US$ 8 bi aos EUA nos últimos 2 anos; nome do indicado ainda não foi revelado

WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

O presidente Barack Obama deu ontem um passo a mais nos esforços de segurança da Casa Branca, ao anunciar que indicará em breve um "ciber-czar" para a proteção da rede virtual americana. Em um trocadilho com "armas de destruição em massa", Obama disse que o novo alto funcionário - cujo nome ainda não foi divulgado - deverá proteger os EUA das "armas de desorganização em massa"."Não estamos tão preparados como deveríamos - nem o governo nem o país", admitiu o presidente. Segundo os cálculos da Casa Branca, ataques de hackers nos últimos dois anos custaram aos americanos cerca de US$ 8 bilhões. Em 2008, afirmou Obama, o mundo teve um prejuízo de US$ 1 trilhão com as agressões virtuais."Proteger a infraestrutura será uma prioridade de segurança nacional. Vamos deter, prever e nos defender de ataques, e nos recuperaremos rapidamente (de eventuais ações)", declarou Obama.CHINA E RÚSSIAO anúncio do "ciber-czar" é resultado de uma avaliação de 60 dias sobre segurança online nos EUA. A autora do estudo foi Melissa Hathaway, ex-conselheira do governo George W. Bush. Ela é uma das cotadas para o novo cargo, ao lado do empresário do Vale do Silício Rod Beckstrom.Ofensivas online nos últimos meses expuseram fragilidades da rede dos EUA e levaram estrategistas da Casa Branca a acelerar os novos planos de defesa. Um relatório revelou a invasão do sistema de eletricidade americano supostamente por hackers chineses. Até mesmo o programa do Pentágono para desenvolvimento de um novo avião de combate - projeto de defesa mais caro dos EUA, estimado em US$ 300 bilhões - teria sido invadido e parte de suas informações, roubadas. Do outro lado do mundo, sites do governo georgiano foram tirados do ar por hackers em novembro, ao mesmo tempo em que tanques russos invadiam a Geórgia.Embora seja difícil comprovar a autoria dos ciberataques, funcionários americanos costumam acusar hackers a serviço da Rússia e China pelas ações. Mas não seriam as agressões pontuais a maior ameaça. Especialistas alertam para o risco de uma "ciberguerra total", que implique em uma ampla ofensiva contra os sistemas americanos.O "ciber-czar" integrará os conselhos de Segurança Nacional e de Economia. O novo organismo também será ligado ao Escritório de Administração e Orçamento para garantir o financiamento adequado da agência e, em caso de ataque, a coordenação da resposta de Washington.WP E THE GUARDIANCIBERATAQUES EUA - Hackers invadiram o sistema de elétrico e roubaram informações sobre o programa de desenvolvimento de um novo caça, estimado em US$ 300 bilhões Geórgia - Na guerra contra a Rússia (2008), hackers tiraram do ar sites do governo de Tbilisi Estônia - Em 2007, ataques atribuídos à Rússia tiraram do ar sites governamentais e de bancos

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