Yuri Gripas/Reuters
Yuri Gripas/Reuters

Obama critica 'mesquinho' plano republicano para substituir sua lei de saúde

No Facebook, ex-presidente americano sai em defesa do Obamacare e diz que mudanças prejudicarão os mais pobres

O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2017 | 23h37

WASHINGTON - O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, criticou nesta quinta-feira o plano lançado pelos republicanos no Senado para substituir a reforma de saúde que ele impulsionou e assinou em 2010, por considerar que é pura "mesquinharia" e "milhões de americanos" poderiam perder sua cobertura médica.

Em uma mensagem publicada em seu perfil no Facebook, Obama saiu em defesa da lei conhecida como "Obamacare" e atacou o plano dos líderes republicanos do Senado para desmantelar e substituir essa reforma.

"O projeto de lei do Senado, revelado hoje, não é um projeto de lei de saúde. É uma transferência em massa de riqueza das famílias pobres e de classe média às pessoas mais ricas dos Estados Unidos", comentou o ex-presidente (que governou entre 2009 e 2017).

"Ele concede enormes cortes de impostos aos ricos e às indústrias farmacêuticas e de seguros médicos, que custeia por meio do corte aos cuidados de saúde para todos os demais", acrescentou.

Obama salientou ainda que o projeto de lei "elevaria os custos" dos seguros médicos, "reduziria a cobertura médica, eliminaria proteções" para certos grupos e "arruinaria" o programa de seguros médicos subsidiados para americanos pobres, conhecido como Medicaid.

"Em termos simples, se você adoecer, envelhecer ou começar uma família, este projeto de lei te prejudicará", opinou Obama.

"E pequenos retoques durante as próximas duas semanas, com a desculpa de fazer que este projeto seja mais fácil de digerir, não poderão mudar a mesquinharia fundamental que define esta legislação", completou.

Sob a reforma de saúde aprovada em 2010, as companhias de seguros médicos eram proibidas de rejeitar cobertura médica a qualquer paciente se este já tivesse uma doença ao contratar o seguro, algo que antes ocorria frequentemente nos EUA, e alguns especialistas pensam que pode voltar a acontecer com o novo projeto.

"Ainda espero que haja suficientes republicanos no Congresso que lembrem que o serviço público não se trata de competir nem de obter vitórias políticas, que há uma razão pela qual todos decidimos ajudar, e se trata, esperemos, de melhorar a vida das pessoas, não piorá-la", sustentou o ex-presidente.

O projeto republicano apresentado no Senado elimina a maioria dos impostos e mandatos do "Obamacare", entre eles a obrigatoriedade de adquirir cobertura médica, ainda que mantenha um sistema de subsídios para ajudar os cidadãos a comprar um seguro, no estilo da reforma de 2010, mas menos generoso.

O destino do projeto de lei não está claro, dado que os republicanos necessitam de pelo menos 50 votos para aprová-lo, e pelo menos 4 dos 52 membros desse partido no Senado já expressaram sua oposição ao texto, que provavelmente não receberá nenhum voto democrata. / EFE

 

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