Obama critica programa econômico de McCain

Democrata inicia viagem de duas semanas por redutos republicanos e diz que plataforma do rival é cópia da política fracassada de Bush

REUTERS E AP, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2008 | 00h00

O senador Barack Obama, candidato democrata à presidência dos EUA, começou ontem um tour nacional de duas semanas para falar de economia, um dos principais temas das eleições gerais e ponto fraco de seu adversário, o republicano John McCain. Em comício na cidade de Raleigh, na Carolina do Norte, ele afirmou que o programa de McCain é "uma cópia da política econômica do presidente George W. Bush"."Se a política de McCain for implementada, a dívida pública aumentará US$ 5,7 trilhões na próxima década. Isso não é responsabilidade fiscal, é exatamente o que Bush fez nos últimos oito anos", disse Obama, que propôs um estímulo fiscal de US$ 50 bilhões e um aumento dos benefícios para os desempregados. Para combater a alta do preço da gasolina, o senador voltou a defender a taxação dos lucros das companhias de petróleo. "Não é preciso ler os jornais para perceber como a situação é séria", .afirmou o senador, que deve passar ainda pelos Estados de Missouri, Ohio, Pensilvânia e Flórida. No discurso de ontem, Obama também criticou a postura de McCain a respeito da política tributária de Bush. Em 2001, o republicano foi contra a isenção de impostos para os americanos mais ricos, defendida pelo presidente, mas mudou de opinião para assegurar a nomeação do partido.Tucker Bounds, porta-voz da campanha de McCain, acusou Obama de querer aumentar a carga tributária dos americanos. "Durante apenas três anos no Senado, Obama votou 94 vezes em favor de aumento de impostos", afirmou Bounds. "Obama não entende a economia americana. O tipo de mudança que ele propõe nós não podemos nos dar ao luxo de aceitar."ESTRATÉGIANesse início de campanha nacional, os estrategistas de Obama decidiram atacar em duas frentes. A primeira pretende ampliar o mapa eleitoral democrata, desafiando McCain em Estados tipicamente republicanos. Um dos objetivos dessa ofensiva é forçar a campanha de McCain a gastar mais com propaganda onde, em tese, não precisaria. Outra frente de batalha será trazer a economia para o centro do debate eleitoral, aproveitando a deficiência do adversário nessa área. Hoje, McCain deve esmiuçar seu programa econômico em um discurso em Washington. Em seguida, ele planeja uma viagem para a Virgínia - onde Obama fez campanha na sexta-feira - em busca de doadores para tentar diminuir a vantagem do democrata, que arrecadou US$ 264 milhões em 16 meses, valor bem superior aos US$ 155 milhões do republicano.

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