AFP PHOTO / Nicholas Kamm
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Obama critica retórica 'vulgar e divisionista' de campanha presidencial

Sem mencionar nenhum candidato, a mensagem foi uma condenação às declarações do polêmico Donald Trump, que tem liderado as pesquisas republicanos com um discurso racista e preconceituoso

O Estado de S. Paulo

15 de março de 2016 | 18h47

WASHINGTON - O presidente Barack Obama disse nesta terça-feira, 15, estar profundamente perturbado pela “retórica vulgar e divisionista” contra mulheres e minorias nos EUA assim como a violência na campanha presidencial deste ano. Sem mencionar nenhum candidato, a mensagem foi uma condenação às declarações do polêmico Donald Trump, que tem liderado as pesquisas republicanos com um discurso racista e preconceituoso. 

Obama usou um almoço oficial no Capitólio para expressar sua preocupação com o discurso político e os protestos que têm se convertido em ataques nos comícios de Trump. Entre outras polêmicas, o bilionário já prometeu barrar a entrada de muçulmanos nos EUA e deportar imigrantes que vivem no país ilegalmente. 

O líder foi ovacionado ao concluir seu discurso que atacou o teor da campanha e pediu civilidade aos pré-candidatos à Casa Branca. “Temos ouvido uma retórica vulgar e divisionista contra as mulheres e as minorias e os americanos que se não parecem conosco ou rezam como nós ou votam como nós”, declarou Obama, durante o almoço anual para marcar o Dia de São Patrício, padroeiro da Irlanda, no Capitólio. 

Ele também condenou os esforços para impedir a liberdade de expressão. Na sexta-feira, pessoas que protestavam contra Trump em Chicago impediram que ele fizesse o discurso após uma confusão generalizada. “Vivemos em um país onde a liberdade de expressão é um dos mais importantes direitos. Rejeito qualquer esforço para espalhar o medo ou encorajar a violência ou calar as pessoas enquanto elas estão tentando falar.”

Obama lamentou que muitos líderes políticos tenham permanecido calados diante da retórica promovida pela campanha republicana. E destacou que os insultos às minorias e aos imigrantes podem “manchar” a imagem dos EUA no exterior.

Na segunda-feira, Trump disse que não há violência em seus comícios e não aprova atos nesse sentido. Seus rivais, no entanto, seguem o acusando de tolerar e fomentar uma atmosfera de ódio e fúria. “Como cidadão e como alguém que ainda tem um tempo neste escritório (presidência), não apoiarei ninguém que pratique esse tipo de política”, garantiu Obama.

Sentado perto do presidente da Câmara dos Deputados, o republicano Paul Ryan, Obama afirmou não concordar com o congressista em muitos temas, mas que não tem nada de ruim para dizer sobre o lado pessoal do opositor, porque sabe que ele quer “o melhor para os Estados Unidos”. 

As declarações de Obama foram dadas no dia em que republicanos tiveram mais uma decisiva votação para a indicação do partido, com as importantes primárias nos Estados da Flórida e de Ohio, onde o vencedor levará todos os delegados em jogo. Há votação também nos Estados da Carolina do Norte, Illinois e Missouri e Trump tem potencial para vencer em todos eles. 

O duelo mais aguardado de hoje ocorrerá na Flórida entre Trump e o senador por este Estado, Marco Rubio. O futuro político do senador depende, em boa medida, do apoio que ele receberá do 1,7 milhão de latinos aptos a votar, que representam 14,9% do eleitorado da Flórida. 

Para Trump, as vitórias nesses Estados podem tornar o que parecia inconcebível um fato concreto e colocar o empresário bilionário nova-iorquino de 69 anos, que prometeu deportar 11 milhões de imigrantes ilegais e adotar políticas comerciais protecionistas, em um caminho desimpedido para se sagrar como candidato republicano para a eleição de novembro de novembro.

Até ontem, Trump tinha 469 dos 1.237 delegados necessários para conseguir a candidatura para as eleições presidenciais, 99 a mais que seu mais próximo concorrente, o senador pelo Texas Ted Cruz. 

Democratas. No caso do Partido Democrata, que também foi às urnas hoje, os delegados seriam divididos proporcionalmente em todos os Estados onde houve primárias, com a expectativa de que fosse uma jornada positiva para a ex-secretária de Estado Hillary Clinton.

A ex-primeira-dama liderava as pesquisas em todos os Estados, com exceção do Missouri, onde o senador por Vermont Bernie Sanders era o favorito. / AP, EFE, REUTERS 

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