(Daniel Acker/The New York Times)
(Daniel Acker/The New York Times)

Obama critica Trump e os republicanos e apela ao voto em novembro

Ex-presidente denunciou políticas de "medo" do atual governo no primeiro grande discurso político desde que deixou o cargo; ele deve participar mais da campanha democrata nos próximos dois meses

O Estado de S.Paulo

07 Setembro 2018 | 16h27

Afastado dos holofotes durante os últimos dois anos, o ex-presidente americano Barack Obama voltou à arena política nesta sexta-feira, 7, e criticou de forma dura o governo de Donald Trump e os caminhos seguidos pelo Partido Republicano. Num discurso proferido na Universidade de Illinois, Obama falou que Trump é uma "ameaça à democracia", e defendeu que a única forma de se ultrapassar os “tempos perigosos que o país vive” é através da participação em massa dos americanos nas eleições legislativas de novembro, para o Congresso.

Obama decidiu se lançar no apoio aos democratas nos próximos dois meses de campanha para as eleições legislativas de meio de mandato. “Nada disso é conservador”, disse Obama. “Eu não pretendo fingir que estou encarnando Abraham Lincoln agora, mas isso não é o que Lincoln tinha em mente, acho, quando ajudou a formar o Partido Republicano. Não é conservador. Certamente não é normal. É radical. É uma visão que diz que a proteção do nosso poder e aqueles que nos apóiam é tudo o que importa mesmo quando isso prejudica o país”.

“Muitos de vocês podem pensar que exagero quando digo que estas eleições são as mais importantes desde que me lembro. Mas basta olharem para as últimas manchetes para perceberem que este tempo é realmente diferente”, disse Obama. “Não vivemos tempos normais, vivemos tempos extraordinários e perigosos”, acrescentou.

“Nesta escuridão política, vejo um despertar dos cidadãos em todo o país. Você deve votar porque a nossa democracia depende de você”, disse ele. “Se você acredita que as eleições não importam, espero que os últimos dois anos tenham mudado sua percepção. A maior ameaça à nossa democracia não é Donald Trump, é a indiferença, o cinismo.”

Mesmo admitindo que Donald Trump “é apenas um sintoma e não a causa” da atual divisão da sociedade americana, Obama não deixou de o criticar diretamente – uma situação rara desde que foi substituído pelo magnata na presidência dos EUA. 

O antigo chefe de Estado lamentou a pressão exercida por Trump sobre a justiça e sobre o FBI, denunciou a “loucura” que reina dentro da Casa Branca e criticou as políticas de “medo e ressentimento” promovidas pelo Presidente. 

Obama também criticou o comportamento dos republicanos, ao apoiarem sem reservas a Donald Trump em vez de terem “a coragem de defender as instituições em que a democracia se baseia”. “O que aconteceu com o Partido Republicano?”, perguntou Obama. “Eles estão minando nossas alianças, aproximando-se da Rússia e cometendo todo tipo de ação equivocada”, disse ele em referência aos republicanos. 

O ex-presidente democrata também criticou a ideia de que “tudo vai ficar bem, porque há pessoas na Casa Branca secretamente não seguem as ordens do presidente.” “Não é assim que a nossa democracia deve funcionar.” / AFP e NEW YORK TIMES

 

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