Obama dá ultimato a Kadafi e ameaça atacar Líbia para evitar um massacre

Governo americano diz que manterá pressão para que ditador líbio deixe o poder Resolução da ONU tem forte impacto e faz com que ditador recue em ataques contra rebeldes e anuncie cessar-fogo Em Paris, coalizão já tem plano de ataque contra país

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2011 | 00h00

Ignorando o cessar-fogo anunciado pela Líbia, o presidente Barack Obama exigiu que Muamar Kadafi encerre a violência contra os rebeldes e recue suas tropas para não enfrentar uma ação militar. A secretária de Estado, Hillary Clinton, acrescentou que os EUA seguirão trabalhando com seus aliados para forçar o líder líbio a deixar o poder. Na Europa, a franceses e britânicos começaram a mobilizar armas para uma ofensiva.

"Todos os ataques contra civis precisam ser interrompidos. As tropas devem ser impedidas de avançar em direção a Benghazi e retiradas de Ajdabiya, Misrata e Zawiyah. O fornecimento de água, energia e gás deve ser restabelecido em todas as áreas. E a entrada de assistência humanitária na Líbia precisa ser autorizada", disse Obama, um dia após o Conselho de Segurança da ONU aprovar a imposição de uma zona de exclusão aérea e o uso de todos os meios necessários para impedir que os rebeldes sejam massacrados pelo regime.

Em um de seus discursos mais duros desde o início dos levantes árabes, Obama ameaçou o líder líbio. "Deixe-me ser claro. Esses termos não são negociáveis. Se Kadafi não os cumprir, a resolução será imposta por meio de ação militar", disse o presidente, descartando, no momento, o uso de tropas terrestres.

Hillary também fez ameaças a Kadafi. "Nós ouvimos relatos de que o governo da Líbia anunciou um cessar-fogo. Essa é uma situação fluida e dinâmica. No entanto, não nos impressionamos com palavras. Queremos ver ações e isto ainda não está muito claro. Continuaremos trabalhando com nossos parceiros da comunidade internacional para pressionar Kadafi a deixar o poder e para apoiar as aspirações do povo líbio", disse a secretária de Estado.

O tom dos americanos já havia subido no início da semana. Antes, Franca, Líbano e Grã-Bretanha lideravam a pressão contra Kadafi na ONU. A mudança ocorreu depois de a Liga Árabe ter defendido ações mais duras contra a Líbia.

Um dos temores dos americanos era parecer intervencionista - o país já enfrenta guerras no Iraque e no Afeganistão. Com a resolução, europeus e mesmo nações árabes participarão dos esforços para impor a resolução.

Pressão. Também pesaram pressões domésticas de congressistas americanos que criticaram Obama por não ser mais duro na pressão contra o regime na Líbia. Um grupo de senadores, incluindo o republicano John McCain e o democrata John Kerry, que também ocupa a presidência da Comissão de Relações Exteriores do Senado, haviam divulgado um comunicado pedindo que o presidente se envolvesse mais nas negociações sobre a resolução.

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