Obama decepciona grandes empresas

Com incertezas a respeito de planos do governo, companhias adiam contratações e investimentos

Patrícia Campos Mello, da Agência Estado,

07 de fevereiro de 2010 | 09h48

Boa parte das grandes empresas e bancos dos Estados Unidos está muito decepcionada com o presidente Barack Obama. Uma onda de sentimento contra os grandes negócios tomou conta do país e está sendo alimentada pelo governo. Obama propôs recentemente uma série de medidas consideradas hostis aos grandes negócios, entre elas taxas sobre bancos e fim de isenções fiscais que devem elevar os impostos para grandes empresas em US$ 468 bilhões ao longo da década.

Segundo analistas, a incerteza causada pelas novas regras está fazendo as empresas adiarem contratações e investimentos. "O ambiente hostil aos negócios já resultou na queda de investimentos e adiamento de contratações", disse Mark Calabria, pesquisador do Cato Institute. "E a incerteza é ainda pior quando não se sabe quais serão as regras do jogo; todo mundo fica esperando para ver o que vai acontecer."

A pesquisa Bloomberg Global do mês passado revela que 77% dos investidores americanos acham que Obama tem um viés antinegócios. Apenas 27% dos investidores aprovam o presidente - eram 32% em outubro.

No orçamento que apresentou ao Congresso na segunda-feira passada, Obama propõe o fim de isenção fiscal para certas operações de multinacionais, no valor de US$ 122 bilhões, e mudanças contábeis que elevarão o custo das empresas. Para os bancos, estão na mesa o imposto de responsabilidade sobre a crise financeira, que pode arrecadar mais de US$ 90 bilhões dos grandes bancos ao longo de dez anos, e as propostas da regulação de Paul Volcker proibindo bancos que detêm depósitos de correntistas de investir negociar ou aconselhar fundos hedge e fundos de participações em empresas (private equity), além de vetar as instituições de fazer operações com seu próprio dinheiro.

Obama também propôs medidas para limitar o tamanho dos bancos para que o governo não se veja novamente obrigado a resgatar instituições com dinheiro do contribuinte para evitar um colapso no sistema financeiro. Em Wall Street, vários dos bancos que fizeram doações para a campanha de Obama estão agora contribuindo com republicanos, na tentativa de bloquear a onda de regulamentação proposta por Obama. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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