Kevin Lamarque/Reuters
Kevin Lamarque/Reuters

Obama defende inclusão do Irã em negociação na Síria

Apesar de reconhecer importância de Teerã, Turquia e Rússia na Síria, presidente rejeita cooperação formal com o país contra o EI

O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2015 | 17h08

WASHINGTON - O presidente americano, Barack Obama, disse nesta quarta-feira, 15, em entrevista coletiva na Casa Branca, que a solução para a guerra civil na Síria inclui o envolvimento da Rússia, Turquia e do Irã, em um sinal de que o acordo nuclear com o república islâmica, assinado ontem, abre caminho para um maior envolvimento do país em disputas regionais. Obama, no entanto, descartou uma cooperação aberta com Teerã no combate ao Estado Islâmico. 

“Para resolver a questão , precisamos de um entendimento entre as principais potências inTeressadas na Síria. E isso não ocorrerá no campo de batalha”, disse Obama. “Podemos continuar tendo conversas com o Irã que o incentive a comportar-se de maneira diferente na região, sendo menos hostil e mais cooperante, mas não contamos com isso.”

Apesar de defender a inclusão de potências regionais do Oriente Médio na discussão sobre a crise síria, Obama descartou uma cooperação formal entre Estados Unidos e Irã xiita no combate ao Estado Islâmico – grupo radical sunita que controla partes da Síria e do Iraque.

“Não vejo uma série de acordos formais com o Irã sobre a campanha contra o EI”, acrescentou o presidente. “Ao contrário de Cuba, não estamos normalizando as relações diplomáticas com o Irã. Mas o acordo é a melhor maneira de impedir o Irã de conseguir uma arma nuclear.”

Obama é cético quanto a possibilidade de em um futuro próximo os Estados Unidos restabelecerem relações diplomáticas com o Irã, rompidas em 1980. No entanto, o presidente reconheceu que o Irã tem influência no Iraque e faz sentido que o primeiro-ministro iraquiano, Haidar al Abadi, se reúna e negocie com os líderes do Irã para discutir questões bilaterais.

“O Irã financiou milícias xiitas que no passado mataram soldados americanos e no futuro podem realizar atrocidades em comunidades sunitas”, advertiu o presidente.

Por isso, ainda de acordo com Obama, os Estados Unidos repassam regularmente ao Iraque suas preocupações sobre as ações do Irã, e seu Exército só atuará no território iraquiano se tiver certeza que as ações militares nesse país estão dirigidas por Abadi e não por outros poderes.

Obama declarou ainda que espera um debate firme no Congresso sobre o acordo, que ele disse cortar todos os caminhos para o Irã conseguir uma arma nuclear.

Israel. Na coletiva, o presidente reconheceu que o governo de Israel tem razão em estar preocupado com a conduta iraniana, mas insistiu que sem o acordo haveria um risco de mais confrontos no Oriente Médio.

“Com esse acordo, nós temos a possibilidade de resolver pacificamente uma grande ameaça à segurança regional e internacional”, disse Obama. “Mas eu comparto das preocupações de Israel, dos sauditas e de nossos parceiros no Golfo sobre o envio de armas iranianas e sua participação em confrontos. Vamos renovar nossa parceria para impedir que isso aconteça.” /  AP. REUTERS  e EFE

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