Obama defende Índia como membro permanente de Conselho de Segurança

Presidente dos EUA diz a Parlamento em Nova Déli que quer reforma em órgão da ONU; assento permanente é pleito antigo do Brasil.

BBC Brasil, BBC

08 de novembro de 2010 | 12h15

Obama pediu 'longa vida' à parceria EUA-Índia

O presidente dos EUA, Barack Obama, defendeu nesta segunda-feira uma reforma no Conselho de Segurança (CS) da ONU e a entrada da Índia como membro permanente do órgão.

Em discurso no Parlamento indiano, em Nova Déli, o americano disse que "anseia" por um CS reformado, com um assento fixo para a Índia.

Atualmente, são membros permanentes - ou seja, têm poder de veto nas resoluções que tramitam no CS - apenas Estados Unidos, Grã-Bretanha, China, Rússia e França.

O Brasil ocupa assento no CS, mas como membro rotativo, até 2011.

A reforma no CS é um pleito antigo de Brasília, outro membro dos Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, China e Índia) que também almeja obter um assento permanente no principal conselho da ONU.

Críticos dizem que o atual CS não reflete o crescente peso das nações emergentes na economia e na geopolítica globais.

"A ordem internacional justa e sustentável que os Estados Unidos buscam inclui uma ONU eficiente, efetiva, crível e legítima", disse Obama ao Parlamento. "Por isso posso dizer hoje que, nos próximos anos, anseio por um Conselho de Segurança reformado que inclua a Índia como membro permanente."

Afago

Correspondentes da BBC em Nova Déli explicam que o apoio de Obama será fortemente apreciado na Índia, que há anos faz lobby por um assento fixo no CS.

Mas mudanças reais virão somente depois de uma ampla reforma no CS, que pode levar anos até que seja costurada.

Sendo assim, o gesto de Obama foi visto como mais diplomático do que concreto e visa principalmente agradar seu anfitrião, realçando a importância que a Casa Branca dá ao país asiático de 1,2 bilhão de habitantes.

A Índia é primeira parada de uma viagem de dez dias pela Ásia, cujo objetivo é alavancar as exportações americanas e gerar empregos nos Estados Unidos.

No domingo, Obama havia defendido o diálogo indiano com seu rival, o Paquistão, e no sábado anunciara acordo de US$ 10 bilhões entre Índia e EUA.

Nesta segunda, ele se encontrou com o premiê indiano, Manmohan Singh, a quem disse que a Índia não seria apenas um país emergente, mas uma potência mundial. Ele disse também que Estados Unidos e Índia poderiam trabalhar juntos para promover estabilidade e prosperidade na região.

Singh, por sua vez, disse que compartilhava da visão de Obama para a Ásia e que ambos os países serão parceiros em projetos no Afeganistão e na África.

Obama terminou seu discurso no Parlamento indiano pedindo "longa vida" à parceria entre Washington e Nova Déli, que, segundo o presidente, será um dos laços que definirão o século 21.

Foi o terceiro e último dia da visita de Obama à Índia. As próximas paradas da viagem são Indonésia, Coreia do Sul (onde participa da reunião do G20) e Japão.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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