Charles Dharapak/AP
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Obama defende investimento em inovação para diminuir desemprego

Em discurso do Estado da União, presidente dos EUA pede cooperação entre democratas e republicanos

estadão.com.br

26 de janeiro de 2011 | 01h26

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Barack Obama, defendeu na terça-feira, 25, a necessidade de investimentos em inovação tecnológica, educação e infraestrutura para recuperar a economia americana. O democrata fez uma referência à corrida espacial dos anos 1950 e 1960 ao propor novas medidas para criação de empregos.

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"É o momento Sputnik da nossa geração", disse Obama. "Investiremos em pesquisa biomédica, tecnologia da informação, e especialmente, a energia limpa, que criarão um número incontável de empregos para nosso povo".

 

Obama usou o discurso do Estado da União, o mais importante dos líderes americanos, para falar do desafio dos legisladores dos partidos democrata e republicano para superar as divisões partidárias e resolver as questões que vão permitir que os Estados Unidos sejam competidores globais.

 

"Para conquistarmos o futuro, precisamos assumir desafios que podem levar décadas até serem concretizados", disse o presidente, solicitando aos legisladores que coloquem de lado as questões partidárias para melhorar a competitividade do país.

 

Obama propôs a redução da alíquota dos impostos para empresas. Segundo ele, isso é possível "sem acrescentar um centavo ao déficit" do país. Para isso, é necessário cancelar os benefícios fiscais concedidos a alguns setores. "Peço aos democratas e republicanos que simplifiquem o sistema", disse Obama. "Vamos acabar com os benefícios fiscais e usar os recursos poupados para reduzir a alíquota fiscal pela primeira vez em 25 anos, sem elevar nosso déficit".

 

Obama propôs o aumento nos gastos com infraestrutura para impulsionar a criação de empregos e estimular a economia. Mas o projeto vai enfrentar um obstáculo: os recursos para a construção de estradas são escassos e nenhum dos partidos se mostra propenso a elevar os impostos sobre a gasolina.

 

O presidente propôs um plano de seis anos para reformar estradas, pontes e sistema de trânsito, além da criação de um banco nacional de infraestrutura para levantar recursos privados. "Nossa infraestrutura já foi a melhor do mundo, mas perdemos esta liderança", disse Obama. "Temos de fazer melhor. A América é o país que construiu a ferrovia transcontinental, levou eletricidade a comunidades rurais e construiu o sistema de estradas interestadual".

 

Ele também pediu mais recursos para a construção de linhas de trem, além de uma "iniciativa nacional wireless" para proporcionar acesso à internet para a maioria das residências americanas. "Nós precisamos inovar mais, educar mais e superar o restante do mundo", disse ele. "Temos de fazer dos EUA o melhor país do mundo para fazer negócios".

 

Obama pediu também que gastos não relacionados à segurança e à seguridade social sejam congelados por cinco anos, mas isso não deve afetar alguns dos itens mais caros do Orçamento, tais como o sistema de assistência à saúde Medicare, os gastos militares, a Seguridade Social, a prevenção a ataques terroristas e a ajuda a outros países. O presidente disse que vai buscar "cortes e eficiências" em outras áreas, como a desaceleração dos gastos militares, que em cinco anos deverá representar uma economia de US$ 78 bilhões.

 

Principais pontos do discurso:

 

Energia

O presidente propôs que até 2035 80% da energia nos EUA venha de matrizes limpas.

Educação

Criação de 100 mil postos de trabalho para professores secundários e recolocar os EUA no primeiro lugar entre os países com mais universitários formados no mundo.

Infraestrutura

Construir estradas e levar internet banda larga a até 98% do país.

Déficit

Congelar os gastos domésticos por cinco anos, equivalente a US$ 400 bilhões em dez anos. Reformar repartições federais para tornar o governo mais eficiente, unificar o sistema de impostos e retirar cortes de tributos dos americanos mais ricos.

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