Obama defende projeto de mesquita em NY

Presidente americano enfrenta o movimento contrário à construção de um centro islâmico a dois quarteirões de onde ficavam as Torres Gêmeas

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2010 | 00h00

O muçulmano Faisal Abdul Rauf enfrentou protestos isolados em Nova York ao decidir erguer um centro islâmico a dois quarteirões de onde ficavam as torres do World Trade Center. Nos últimos dias, as manifestações anti-islâmicas ganharam força longe do Marco Zero, e a maior parte dos americanos, segundo pesquisas, já é contra a ideia. À minoria que apoia Rauf uniu-se, ontem à noite, o presidente Barack Obama.

"O Marco Zero é, realmente, solo sagrado. Mas deixe-me ser claro. Como cidadão e como presidente, acho que os muçulmanos têm direito a praticar sua religião como qualquer outra pessoa neste país. Isso inclui o direito a construir um lugar de oração e um centro comunitário em uma propriedade privada em Manhattan", disse Obama.

O edifício proposto por Rauf, nascido no Kuwait e radicado nos EUA há quatro décadas, tem piscina, academia e lanchonete. Ao custo de US$ 100 milhões, passaria despercebido - os moradores de Nova York não pensam se são muçulmanos, cristãos ou judeus ao ingressar em um centro esportivo e social - se não tivesse também uma mesquita.

Os primeiros ataques vieram de políticos conservadores, como a ex-governadora do Alasca Sarah Palin, o senador John McCain e o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani. Opositores afirmaram que o financiamento seria de terroristas. Agora, ônibus em Nova York circularão com uma propaganda, dizendo equivocadamente que será erguida no lugar das torres.

As autoridades de Nova York, incluindo o prefeito Michael Bloomberg, declararam apoio e tudo parecia caminhar para a construção, denominada Park 51 (inicialmente seria Casa Córdoba). Até agora, Obama tinha se mantido distante da discussão. Questionado sobre a posição da Casa Branca, o porta-voz Robert Gibbs afirmara várias vezes que era um assunto local.

A polêmica cresceu no fim de julho, quando a Liga Antidifamação (ADL, pelas siglas em inglês), uma entidade judaica que luta contra o preconceito, condenou a ideia. A posição da ADL levou à reação dos que apoiam o centro. O editor da revista Newsweek e apresentador da CNN, Fareed Zacharia, devolveu um prêmio recebido da ADL. Colunistas como Thomas Friedman, do New York Times, e mesmo o conservador Jeffrey Goldberg, da revista Atlantic, posicionaram-se a favor.

O New York Times engrossou a lista dos defensores. "Não é apenas a coisa certa a ser feita. É a única coisa a ser feita", escreveu em editorial.

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