MIGUEL GUTIÉRREZ/EFE
MIGUEL GUTIÉRREZ/EFE

Obama deu passo 'mais agressivo' da história contra a Venezuela, diz Maduro

Líder venezuelano criticou declarações do americano e nomeou venezuelano sancionado pelos EUA como ministro do Interior

O Estado de S. Paulo

10 Março 2015 | 07h38


CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou na noite de segunda-feira que seu colega americano, Barack Obama, deu o passo "mais agressivo" da história de seu país contra Caracas depois que Washington declarou a Venezuela uma "ameaça à segurança nacional dos EUA" pelo "risco extraordinário" da situação no país.

"O presidente Obama deu o passo mais agressivo, injusto e nefasto que jamais havia sido dado contra a Venezuela", afirmou Maduro em uma declaração no Palácio de Miraflores acompanhado de todos os membros de seu governo e do alto comando militar. "Os EUA e o presidente Obama, representando a elite imperialista americana, decidiu passar pessoalmente a cumprir a tarefa de derrubar meu governo e intervir na Venezuela para controlá-la", acrescentou.

O presidente venezuelano disse que Obama decidiu "colocar-se em um beco sem saída" e será lembrando no futuro como Richard Nixon, a quem responsabilizou pelo golpe contra o presidente chileno Salvador Allende ou como George W. Bush, a quem culpou pelo golpe de 2002 contra o então presidente venezuelano, Hugo Chávez.

Maduro negou que seu país possa representar uma ameaça para os EUA e afirmou: "uma ameaça para o povo dos EUA são vocês (autoridades americanas), os que decidem invadir, matar e financiar o terrorismo no mundo".

Maduro ressaltou que os EUA "não têm o direito de agredi-lo e de declarar que a Venezuela é uma ameaça" e instou Obama a defender os direitos humanos dos negros "que morrem nas cidades americanas todos os dias, das milhares de pessoas que não têm onde dormir e morrem de frio nas ruas de Nova York, de Boston ou de Chicago, ou dos detidos na base de Guantánamo".

"É tempo de definições, de dar um passo adiante para dizer ao império americano que pretende violar a sagrada soberania de nossa pátria que há um povo que está cada vez mais unido, mais coeso, melhor preparado para garantir que a bota ianque nunca, jamais tocará nessa terra", concluiu Maduro.

Sanções. Após o anúncio de Obama, Maduro designou o major-general Gustavo González López, um dos militares sancionados pelo governo dos EUA, como novo ministro do Interior, Justiça e Paz. "Decidi nomear o major-general González López como ministro do Interior, Justiça e Paz para que vá, com sua condecoração do império americano, garantir a paz do país, a segurança cidadã e nacional."

González López é um dos sete funcionários venezuelanos que foram sancionados por Washington acusados de estar vinculados com violações dos direitos humanos e abusos nos protestos antigovernamentais de 2014.

O novo ministro era até o momento diretor-geral do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) e presidente do Centro Estratégico de Segurança e Proteção da Pátria (CESPPA).

Maduro qualificou as sanções divulgadas pelo Executivo americano de "aberrantes" e "ilegais" e felicitou os sete sancionados, todos relacionados com as forças de segurança do Estado, pelo que considera uma "condecoração imperial".

González López substituirá na pasta do Interior a ministra Carmen Meléndez, também integrante da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), que assumirá o Ministério de Presidência. Deste cargo sairá o major-general Carlos Osório, que continuará desempenhando o cargo de coordenador do Estado-Maior da Guerra Econômica e o de vice-presidente de Segurança e Soberania Alimentaria. /EFE

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