Obama deve indicar juiz na próxima semana

A morte de Scalia, de 79 anos, no fim de semana, abriu uma disputa pelo controle da instância mais alta do Judiciário dos EUA

O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2016 | 16h52

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Barack Obama, vai esperar o Senado americano voltar de um recesso para apontar seu indicado para substituir o juiz Antonin Scalia na Suprema Corte. A morte de Scalia, de 79 anos, no fim de semana, abriu uma disputa pelo controle da instância mais alta do Judiciário dos EUA, que dá a última palavra em questões como o direito ao aborto, porte de armas, pena de morte, imigração e casamento gay. 

A Casa Branca informou que Obama não vai se apressar para escolha e ela será feita após o fim do recesso, na segunda-feira. “A partir daí, esperamos que o Senado considere o indicado, de acordo com suas responsabilidades estabelecidas na Constituição dos EUA”, disse o porta-voz Eric Schultz. 

Em suas duas últimas indicações para a Corte – Elena Kagan e Sonia Sotomayor –, o presidente levou cerca de 30 dias para anunciar sua escolha a contar a partir do dia que seus antecessores, os juízes John Paul Stevens e David Souter, disseram que planejavam se aposentar.

Eleição. A disputa pela indicação do conservador juiz Scalia está fornecendo aos democratas uma oportunidade para aumentar suas chances de reconquistar a maioria no Senado. O impacto poderá ser sentido principalmente nos chamados Estados-chave (sem preferência partidária pré-definida), onde os republicanos tentam manter suas vagas no Senado, disseram estrategistas políticos. O tema deverá ainda estimular o comparecimento de eleitores no dia da eleição, algo que favorece os democratas.

“Nesse ambiente político hiper-polarizado em que estamos operando atualmente, só posso supor que a batalha por essa indicação dominará o debate político daqui em diante”, disse Jim Manley, estrategista e ex-assessor de primeiro escalão de senadores democratas à agência Reuters.

Manley enfatizou que os republicanos estão diante de disputas acirradas para cadeiras no Senado em Estados-chave como Ohio, Flórida, New Hampshire, Wisconsin e Pensilvânia, e podem ter ainda mais problemas em razão das divisões sobre a substituição de Scalia.

Esses candidatos republicanos que ou já servem no Senado ou estão de olho em vagas abertas têm de se dedicar especialmente a temas sociais, como as regras para o aborto, nos Estados mais politicamente divididos, que pesam bastante na escolha de juízes para a Suprema Corte.

Os democratas já tiveram uma vantagem nas eleições legislativas de novembro e só têm de defender 10 assentos, enquanto 24 cadeiras dos republicanos estão em disputa. Os democratas só precisam de cinco vagas para obter a maioria que perderam em 2014. / REUTERS 

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