Obama deve limitar papel das armas nucleares dos EUA

O presidente norte-americano, Barack Obama, deve anunciar hoje a nova política nuclear do país. Funcionários disseram que as novas diretrizes devem reduzir o papel das armas nucleares na estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos.

AE, Agência Estado

06 de abril de 2010 | 12h08

Em entrevista ao jornal "The New York Times", Obama afirmou que ele deve fazer exceções para países como Irã e Coreia do Norte. O presidente deve, porém, ressaltar seu compromisso para evitar o uso de armas nucleares e eliminar ambiguidades da Guerra Fria sobre quando essas armas podem ser utilizadas.

A nova postura nuclear de Obama é anunciada dias antes de ele firmar um tratado com a Rússia a fim de diminuir os estoques nucleares dos dois países, cortando em um terço equipamentos capazes de realizar lançamentos de longas distâncias. Depois de confirmarem o acordo, Obama e o presidente russo, Dmitry Medvedev, participarão de um encontro internacional sobre a questão nuclear em Washington.

Confiança

Em Moscou, o ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, disse que o tratado "reflete um novo nível de confiança entre Moscou e Washington". Ele advertiu, porém, que os russos podem se retirar unilateralmente do pacto, caso os EUA movam seu sistema de defesa antimísseis para muito perto do território russo. Uma das principais metas da política externa de Obama é que se contenha a proliferação nuclear. Para isso, ele comprometeu seu país com uma série de reduções em seus arsenais.

Na entrevista ao "NYT", Obama notou que a nova abordagem dos EUA deixará claro que Estados que não possuem armas nucleares e são signatários do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) não poderão ser atacados com armas nucleares pelos EUA. No entanto, ele lembrou que, caso haja alguma agressão, os EUA terão "ferramentas" para "que o povo norte-americano fique seguro".

Em abril de 2009, Obama prometeu em um discurso em Praga trabalhar por um mundo sem armas nucleares. Ele já admitiu, porém, que não espera ver essa meta alcançada durante sua vida. A revisão do tratado entre EUA e Rússia sofreu com atrasos e aparentes divergências entre os governos. O acordo deveria ser firmado em dezembro.

Coreia do Norte e Irã

Na entrevista ao "NYT", Obama citou especificamente Irã e Coreia do Norte como países que mantêm uma política de isolamento, que seria realizada "fora das normas internacionais aceitas". Em 12 e 13 de abril, líderes mundiais discutirão em Washington como prevenir ataques de terrorismo nuclear e passos para se garantir a segurança de materiais nucleares vulneráveis. Também estará presente o presidente da China, Hu Jintao, sob pressão internacional para aceitar uma nova rodada de sanções contra o Irã.

O país persa já foi alvo de três rodadas de sanções no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), por se recusar a interromper seu controverso programa nuclear. Teerã diz ter apenas fins pacíficos, mas países como EUA e França suspeitam que o Irã busca secretamente produzir armas nucleares.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, devem participar da conferência em Washington, onde também devem estar presentes graduados funcionários de Índia e Paquistão, vizinhos que possuem armas nucleares. Os EUA afirmam que mantêm atualmente cerca de 2.200 ogivas nucleares, enquanto a Rússia teria cerca de 3 mil ogivas. As informações são da Dow Jones.

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