Obama deve perder maioria do Senado na eleição de terça-feira, diz pesquisa

Pesquisas divulgadas ontem reforçaram a expectativa de que o Partido Democrata deva perder a maioria no Senado nas eleições legislativas do dia 4, o que deixaria o presidente Barack Obama diante de um Congresso dominado pela oposição em seus dois últimos anos de mandato. Os republicanos já controlam a Câmara de Representantes e precisam eleger seis senadores a mais que os democratas para controlar o Senado.

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2014 | 02h01

Eleitores entrevistados em levantamento do jornal Washington Post e da ABC News manifestaram insatisfação com os rumos do país, com a situação econômica e com o trabalho realizado pelo presidente, cujo apoio vem sendo dispensado por candidatos nas disputas mais acirradas. O temor de contágio pela impopularidade de Obama é tanto que a candidata democrata ao Senado no Estado de Kentucky, Alison Grimes, se recusou a revelar em quem votou em 2008, quando o presidente se elegeu pela primeira vez.

Atualmente, há 53 senadores do Partido Democrata e 2 independentes, que costumam votar com o governo. Os republicanos têm 45. No entanto, segundo projeções, eles virarão jogo e elegerão 52 senadores na semana que vem. Os democratas, 47 - além de 1 senador independente, que votaria com Obama.

Entre outros fatores, os opositores serão ajudados pela baixa popularidade de Obama. A pesquisa mostra ainda que o governo democrata é reprovado por 51% dos entrevistados, enquanto 68% afirmam que o país está na direção errada.

O voto nos EUA é facultativo e um dos desafios dos candidatos é convencer os eleitores a comparecerem às urnas, o que é dificultado pelo fato de a eleição ocorrer em uma dia útil.

Mesmo com maioria no Senado, Obama já enfrenta dificuldades para aprovar uma série de medidas no Congresso, entre as quais a reforma de imigração, o aumento do salário mínimo e mudanças no sistema tributário. Diante dos obstáculos, ele anunciou, em janeiro, que passaria a usar decretos executivos sempre que fosse possível. No entanto, o instrumento tem limites e parte de sua agenda depende do aval dos congressistas.

A eventual perda da maioria no Senado tornaria a relação com o Congresso ainda mais difícil para Obama. Os republicanos teriam o poder de votar propostas legislativas inaceitáveis para o presidente, que seria obrigado a lançar mão de vetos. O processo de aprovação de uma série de nomeações para cargos públicos e juízes ganharia um caráter mais imprevisível, com a possibilidade de a oposição recusar nomes que não lhe agradem.

Se obtiverem maioria no Senado, os republicanos também terão mais poder para criar e controlar comitês de supervisão e investigação de atividades do governo, semelhantes às Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) no Brasil.

A votação da próxima semana ocorrerá na chamada "eleição de meio de mandato", que costuma ser desfavorável ao partido do presidente que está no poder. O resultado é visto como uma espécie de referendo sobre a situação do país e o ocupante do principal cargo de comando acaba sendo responsabilizado por ela.

Os democratas também serão prejudicados pela natureza da disputa pelo Senado, onde os mandatos são de seis anos e não coincidentes. Estarão em jogo 34 das 100 cadeiras da Casa - 21 ocupadas por democratas e 13 por republicanos. Os aliados de Obama se elegeram com o presidente, em 2008, quando houve uma onda favorável ao partido. Agora, muitos buscam a reeleição em um cenário mais hostil.

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