Dusan Vranic/AP
Dusan Vranic/AP

Soldados americanos ficarão no Afeganistão depois de 2016, anuncia Obama

Como promessa de campanha, presidente dos EUA havia dito que reduziria contingente e deixaria apenas mil soldados no país 

Cláudia Trevisan, correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

15 Outubro 2015 | 08h21

(Atualizada às 13h) WASHINGTON - Em uma reversão de sua promessa de reduzir ao mínimo a presença militar dos EUA no Afeganistão, o presidente Barack Obama anunciou nesta quinta-feira, 15, que deixará 5.500 soldados no país quando sair da Casa Branca, em janeiro de 2017, transferindo a seu sucessor o conflito iniciado em 2001. A principal justificativa para a decisão é a frágil situação de segurança no Afeganistão e a necessidade de manter o apoio às tropas locais, que enfrentam dificuldades para conter o avanço do Taleban.

"Essa missão é vital para nossa segurança nacional e para impedir ataques terroristas contra nossas cidadãos e nossa nação", disse Obama na Casa Branca, ao lado do vice-presidente, Joe Biden, e do secretário de Defesa, Ashton Carter. O presidente ressaltou que os soldados continuarão a ter uma missão limitada a dois objetivos: treinar forças afegãs e perseguir integrantes da Al-Qaeda. "Não vou permitir que o Afeganistão seja usado como um porto seguro para atacar nossa nação de novo."

O plano original de Obama era reduzir o contingente atual de 9.800 para um total de 1.000 soldados, que ficariam na Embaixada dos EUA em Cabul a partir de 2017. Em dezembro do ano passado, o presidente declarou que a guerra iniciada por George W. Bush havia chegado ao fim - a conclusão do conflito foi uma de suas principais promessas de campanha. 

A partir daquele momento, as tropas que permaneceram no país deixaram de atuar no combate e passaram a dar apoio ao Exército afegão e se concentrar em ataques a grupos e indivíduos considerados terroristas.

Mas o fato de que conflito e o envolvimento americano estão longe do terminar  ficou evidente no bombardeio a um hospital do Médicos Sem Fronteiras por forças dos EUA no início deste mês. O ataque ocorreu em Kunduz, no nordeste do país, e deixou 19 pessoas mortas, sendo três crianças. 

A cidade havia sido tomada pelo Taleban poucos dias antes, na mais importante vitória do grupo extremista desde o início da guerra. Com apoio dos EUA, o Exército afegão conseguiu retomar Kunduz na terça-feira 13. 

Na semana passada, o comandante americano no Afeganistão, general John Campbell, disse que o bombardeio ao hospital foi um "erro". Pelas regras em vigor, os solados dos EUA só podem se engajar em combate para matar "terroristas", proteger tropas americanas e em resposta a pedidos de auxílio de tropas afegãs em batalhas que podem mudar a correlação de forças da guerra.

Iniciado depois do atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, o conflito custou a vida de quase 2.400 soldados americanos. Do lado afegão, 92 mil pessoas morreram, das quais 26 mil eram civis, segundo levantamento do Watson Institute da Universidade Brown. 

Além de ampliar o número de soldados que ficarão no país, Obama também decidiu expandir sua área de atuação. Além de Cabul, as tropas ficarão em três bases militares: Bagram, próxima da capital, Kandahar, no Sul, e Jalalabad, no Leste.

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