Obama discursa hoje para mundo árabe

À véspera de encontro com Netanyahu em Washington, foco do discurso do presidente dos EUA deve ser as transformações da região

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Quatro meses depois do início dos levantes no Oriente Médio e Norte da África, o presidente Barack Obama discursará para o mundo árabe hoje, em Washington, buscando delinear a política dos EUA para a região. À véspera de um encontro marcado com o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, na Casa Branca, o líder americano deve abordar o conflito entre israelenses e palestinos em seu discurso, mas sem se aprofundar.

O foco do presidente será as transformações no mundo árabe, de acordo com o seu porta-voz, Jay Carney. Segundo funcionários americanos, Obama anunciará um plano de ajuda econômica para alentar a democratização no mundo árabe. Esta não será a primeira vez que Obama se dirigirá para o povo da região. Em 2009, ele escolheu o Cairo para falar para o "mundo islâmico".

Aaron David Miller, do liberal Woodrow Wilson Center, em Washington, afirmou em análise que "o discurso do presidente precisa balancear a esperança e a realidade. Não há necessidade de uma doutrina Obama, na qual a rigidez ideológica se sobreponha à necessidade de flexibilidade. Se fizer isso, precisará explicar porquê intervimos quando (Muamar) Kadafi mata seu povo, mas não fazemos o mesmo com (Bashar) Assad". Danielle Pletka, do conservador American Enterprise Institute, disse que será "um grave erro se Obama tentar relacionar os levantes árabes ao conflito no Oriente Médio".

Até agora, dois autocratas aliados dos EUA antes do início dos levantes foram derrubados - Ben Ali, na Tunísia, e Hosni Mubarak, no Egito. Os regimes da Síria, Iêmen e Bahrein enfrentam manifestações opositoras que têm sido reprimidas com violência e a Líbia está em guerra.

Nos últimos meses, o governo Obama tem adotado uma política de posicionar-se de uma forma diferente para cada uma das nações que enfrentam levantes. Na Tunísia e no Egito, assim que viu a inviabilidade da manutenção de seus aliados no poder, pediu a saída deles.

Na Líbia, os americanos apoiaram as iniciativas da França e da Grã-Bretanha no Conselho de Segurança da ONU para aprovar uma ação da Otan contra o regime de Kadafi. Os americanos defendem que Abdullah Saleh deixe o poder no Iêmen. Nos últimos dias, passaram a intensificar a pressão para que Assad contenha a violência na Síria, mas sem pedir sua remoção. No Bahrein, Washington defende o diálogo entre os dois lado, evitando condenar a repressão do regime.

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