Obama discutirá com Karzai saída de tropas

Presidente quer manter alguns soldados para treinar as forças afegãs e fazer a segurança de instalações; EUA temem um vácuo de poder

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2013 | 02h07

O processo de transição para a retirada das tropas americanas no Afeganistão, considerado um dos pilares da estratégia de segurança nacional do segundo mandato de Barack Obama, deve dominar o encontro entre o presidente dos Estados Unidos com seu colega afegão, Hamid Karzai, na sexta-feira na Casa Branca.

Um dos objetivos do governo Obama, após a retirada da maior parte dos 68 mil soldados até o fim de 2014, é manter tropas remanescentes no Afeganistão para treinar as forças militares afegãs, lançar operações de contraterrorismo e fazer a segurança de instalações americanas.

A definição para o número total de tropas que permanecerão no Afeganistão depois da retirada tem provocado divergências. Generais da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), entre eles o comandante americano John Allen, defendem até 15 mil. O governo Obama fala em valores menores, como 3 mil. O acordo depende também de autorização do governo de Karzai. O Iraque, por exemplo, não permitiu que forças estrangeiras ficassem no país depois da retirada.

Um dos temores dos EUA e de seus aliados, assim como de grande parte da população afegã, é haja um vácuo de poder depois da retirada similar ao ocorrido após o fim da ocupação da União Soviético no fim dos anos 80. Na época, radicais aproveitaram-se da situação e o Taleban estabeleceu um regime radical na década de 90. A milícia, removida em 2001, fortaleceu-se nos últimos anos e ainda é uma ameaça ao governo de Karzai.

A Casa Branca evita dar detalhes do encontro em Washington e, em comunicado, o porta-voz Jay Carney disse que o "presidente Obama pretende discutir a transição no Afeganistão e uma parceria" entre os dois países. A última vez que os líderes americano e afegão se reuniram foi no ano passado em Chicago depois de reunião da Otan.

Além da questão envolvendo as tropas remanescentes, Karzai deve pressionar os EUA a fornecerem mais armamento pesado, incluindo aviões e helicópteros para a Força Aérea afegã. O presidente do Afeganistão deve também protestar contra uma suposta ajuda financeira americana para senhores da guerra afegãos.

O encontro ocorrerá cinco dias depois de Obama anunciar o ex-senador republicano e veterano da Guerra do Vietnã Chuck Hagel como seu futuro secretário da Defesa e responsável por questões como o Afeganistão. A formalização da indicação ainda depende de aprovação no Senado, onde o escolhido enfrenta resistências por ser visto como anti-Israel e muito brando com o Irã.

Karzai, que era próximo de George W. Bush, nunca manteve uma boa relação com Obama e os dois tentaram aparar as arestas na reunião no ano passado. Ainda assim, o governo americano vê com cautela a possibilidade de o presidente afegão, acusado de corrupção, tentar se manter no poder nas eleições de 2014.

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