Obama distancia-se de escândalo

Presidente eleito diz que nunca falou com governador de Illinois sobre destino de sua cadeira no Senado

Reuters, AP e NYT, Chicago, O Estadao de S.Paulo

12 de dezembro de 2008 | 00h00

A entrevista era para anunciar Tom Daschle como futuro secretário de Saúde, mas o escândalo envolvendo o governador de Illinois, Rod Blagojevich, monopolizou a coletiva de ontem de Barack Obama. O presidente eleito dos EUA esquivou-se de qualquer ligação com o governador, acusado de tentar vender a vaga de senador do Estado, que era de Obama.O presidente eleito disse que nunca discutiu com o governador a respeito de seu substituto no Senado. "Estou chocado e decepcionado como qualquer um", afirmou Obama. "Tenho certeza de que nenhum integrante de minha equipe teve qualquer papel nessas discussões."Assim como fez na quarta-feira, o presidente eleito voltou a pedir que Blagojevich renuncie. "Acredito que a confiança pública foi violada", disse. "Não creio que, a esta altura, o governador possa servir ao povo de Illinois. Espero que o governador chegue a essa conclusão e renuncie."O presidente eleito disse ainda que pediu para sua equipe verificar qualquer contato que tenha sido feito com o gabinete de Blagojevich - que foi preso na terça-feira e solto em seguida, após pagamento de fiança - e passará todas as informações para a imprensa. EXIGÊNCIAObama, que assumirá a presidência em 20 de janeiro, renunciou a sua vaga no Senado por Illinois pouco depois de ser eleito. De acordo com a legislação americana, o governador é responsável pela escolha do substituto. No entanto, antes das eleições gerais de novembro um juiz federal havia autorizado a instalação de escutas para obter conversas de Blagojevich, que já vinha sendo investigado pelo FBI (polícia federal americana). Segundo o jornal The New York Times, foi um telefonema de Obama que desencadeou a investigação. Quando ainda era candidato, ele telefonou para Emil Jones, líder do Senado de Illinois e seu amigo pessoal, pedindo que ele aprovasse uma lei que limita a influência de doadores em campanhas políticas. O texto havia sido vetado por Blagojevich, mas o Senado de Illinois derrubou o veto. A legislação, que entra em vigor dia 1º, fez Blagojevich agir rápido, pressionando empresários por novas doações. A atitude chamou a atenção do FBI, que começou a monitorar suas ligações telefônicas.Em uma das gravações, ele exigiu de um dos candidatos à vaga um emprego em uma fundação sem fins lucrativos com um salário de até US$ 300 mil por ano. Outro candidato, identificado como "candidato 5", chegou a oferecer US$ 1 milhão pelo posto. Na quarta-feira, o advogado de Jesse Jackson Jr, filho do reverendo Jesse Jackson e deputado federal por Illinois, admitiu que ele era o "candidato 5". Jackson negou qualquer envolvimento no caso."Eu rejeito e condeno esse tipo de jogada política. Não tive nenhum envolvimento no caso e não autorizei ninguém a prometer algo ao governador Blagojevich em meu nome", disse Jackson em coletiva à imprensa na quarta-feira à noite.SAÚDEO futuro secretário de Saúde dos EUA, Tom Daschle, foi senador pelo Estado da Dakota do Sul e é um especialista na área. Daschle foi um dos que apoiou Obama desde o início da campanha e ficará responsável pela redação do projeto de reforma do sistema de saúde americano. Segundo as condições acertadas pelos dois, ele terá acesso direto ao presidente, sem a mediação de assessores.

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