Obama diz a líderes do Golfo que EUA manterão pressão sobre Irã

Durante reunião em Camp David, presidente promete a aliados que acordo nuclear não significa 'tolerância'

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON , O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2015 | 02h03

Os Estados Unidos tentaram ontem conter a ansiedade de seus aliados no Golfo Pérsico em relação às negociações sobre o programa nuclear do Irã e reafirmaram seu compromisso de defesa da região contra eventuais agressões externas, a exemplo do que ocorreu na invasão do Kuwait pelo Iraque em 1990.

Em reunião ontem com representantes de seis países árabes do Golfo, o presidente Barack Obama disse que o eventual acordo com o Irã não significará a tolerância a atividades externas de Teerã vistas como desestabilizadoras pelos aliados americanos.

Segundo comunicado divulgado ao fim do encontro, os EUA estão prontos deter e confrontar qualquer ameaça à integridade territorial dos seis países do Golfo que viole a Carta das Nações Unidas. Caso isso ocorra, os aliados discutirão de maneira urgente a resposta mais apropriada, entre as quais está o potencial uso de força militar.

A Arábia Saudita e outros países sunitas da região temem que a negociação e o possível levantamento de sanções contra o Irã abram caminho para a expansão da influência da república islâmica no Oriente Médio, incluindo o apoio a grupos insurgentes. O Irã tem 78 milhões de habitantes e um governo xiita, enquanto os seis países árabes do Golfo têm uma população total de 43 milhões de pessoas, de maioria sunita.

Mas não são apenas os aliados externos dos EUA que estão preocupados com a negociação. O Congresso americano aprovou ontem projeto que dá aos parlamentares o poder de rever o eventual acordo com o Irã, que deve ser alcançado antes do prazo final de 30 de junho.

Em entrevista depois da reunião, o presidente Barack Obama observou que a situação no Oriente Médio é extremamente desafiadora, com a guerra civil na Síria, a emergência do Estado Islâmico e o desmantelamento do Estado em países como Iêmen e Líbia.

Obama repetiu aos representantes do Golfo o argumento de que o acordo com o Irã pode aumentar a estabilidade na região, em vez de aprofundá-la. Segundo ele, sanções só serão levantadas se Teerã cumprir seus compromissos. Além disso, ele disse haver mecanismos para dificultar o desvio desses recursos para o financiamento de grupos considerados terroristas e ressaltou que as enormes necessidades econômicas internas do Irã devem consumir esse capital.

Apenas dois dos seis monarcas da região estavam na casa de campo do presidente, em Camp David, local reservado para ocasiões especiais. Os demais enviaram príncipes ou responsáveis por relações exteriores. A ausência mais evidente foi a do monarca saudita, o rei Salman, que assumiu o poder em janeiro. Assessores de Obama minimizaram as baixas e ressaltaram que os participantes da reunião são os que se envolvem na relação com os EUA.

O comunicado divulgado no fim do encontro prevê o aumento da cooperação no combate ao terrorismo, especialmente no enfrentamento do Estado Islâmico e da Al-Qaeda, e na proteção de instalações essenciais, como infraestrutura energética. O texto também defendeu a solução do conflito entre Israel e a Palestina.

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