Obama diz oferecer apenas apoio moral aos iranianos

Presidente afirma ter ''esperança e expectativa'' de que o povo do Irã tente buscar um governo mais representativo

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2011 | 00h00

Em claro apoio aos protestos da oposição no Irã, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou ontem ter "esperança e expectativa" de ver no povo iraniano a "coragem" de se manifestar em favor de um "governo mais representativo" e de seu direito à liberdade.

Na opinião de Obama, é perfeitamente possível ocorrer no Irã a mesma manifestação popular vista no Egito nas últimas semanas. Mas, cauteloso, o líder declarou que o apoio moral é a única forma de contribuição dos EUA aos manifestantes do Irã.

"Nós fomos claros e somos claros agora ao dizer: o que é verdade para o Egito pode ser verdade para o Irã. As pessoas podem ser capazes de expressar suas opiniões e reivindicações e de buscar um governo mais representativo", afirmou, durante cerimônia de entrega da Medalha da Liberdade. "O que pode ser diferente é a resposta do governo iraniano: de atirar, bater e prender as pessoas."

Muito questionado sobre o tema, Obama disse ter sido "irônica" e incoerente a repressão das autoridades do Irã aos manifestantes, na segunda-feira, depois de o governo de Mahmoud Ahmadinejad ter apoiado e celebrado o movimento egípcio. "Demos uma mensagem forte aos nossos aliados no Oriente Médio, para eles olharem o Egito como exemplo oposto ao do Irã."

Obama afirmou ser impossível aos EUA "ditar o que ocorre dentro do Irã", assim como não pôde fazê-lo nos 18 dias de protesto no Egito, que resultaram na queda de Hosni Mubarak.

O Irã e outros países do Oriente Médio passíveis de protestos populares, segundo Obama, são nações soberanas e, como tal, responsáveis pelas suas próprias decisões. Segundo o presidente americano, as mudanças sociais desses países não ocorrerão por causa do terrorismo e da morte de inocentes, mas porque o povo está unido para confrontar, moralmente, uma situação.

"O que podemos fazer é emprestar apoio moral para aqueles que procuram uma vida melhor", afirmou Obama.

A secretária de Estado, Hillary Clinton, completou a mensagem do governo americano ao afirmar que a História mostra que a repressão é a "semente da revolução nas ruas". Logo ao final de um seminário sobre liberdade de expressão pela internet, em Washington, Hillary declarou que os obstáculos aos protestos populares podem ter impacto momentâneo, "mas não para sempre".

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