Obama diz que coragem do capitão libertado é exemplar

Marinha resgatou Phillips em operação na qual morreram três dos quatro piratas que o mantinham como refém

Efe,

12 de abril de 2009 | 18h47

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, comemorou neste domingo, 12, a libertação do capitão da marinha mercante Richard Phillips, sequestrado por piratas somalis, e afirmou que sua coragem é um "exemplo" para os americanos.

 

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"Compartilho a admiração do país pela coragem do capitão Phillips e a preocupação com sua tripulação", assinalou Obama em comunicado.

Neste domingo, 12, a Marinha dos EUA resgatou Phillips em uma operação na qual morreram três dos quatro piratas que o mantinham como refém.

O quarto das piratas está sob custódia policial, segundo a rede de televisão americana CNN, e não estava no bote salva-vidas, mas sim negociando com representantes americanos.

Obama afirmou que os EUA continuam decididos a frear o aumento da pirataria no Chifre da África e destacou que é preciso assegurar que aqueles que cometem atos de pirataria paguem por seus crimes.

 

Ataque

 

O presidente autorizou a Marinha americana a atacar os piratas somalis que sequestraram o capitão Richard Phillips caso este corresse perigo de vida.

 

A informação foi divulgada em entrevista coletiva pelo vice-almirante americano Bill Gortney, o qual disse que a Marinha dos EUA decidiu atuar após determinar que Phillips enfrentava "perigo iminente".

 

Gortney respondeu às perguntas de jornalistas na sala de imprensa do Pentágono em Washington por meio de uma teleconferência concedida a partir do Barein.

 

Segundo o vice-almirante, um grupo de forças especiais da Marinha americana decidiu intervir ao ver que as piratas do bote salva-vidas no qual Phillips estava retido apontavam fuzis AK-47 para o capitão.

 

Gortney afirmou que o comandante do navio de guerra americano USS Bainbridge, que estava a cerca de 30 metros do bote, deu a ordem de atirar contra os piratas ao considerar que o perigo era "iminente".

 

O vice-almirante explicou que a Casa Branca deu "autoridade e orientações muito claras" para a tomada de uma ação militar caso a vida de Phillips estivesse em perigo.

 

Philips foi libertado hoje são e salvo em uma operação na qual morreram três dos quatro sequestradores.

 

O pirata que está vivo se encontrava a bordo do "USS Bainbridge" negociando a libertação de Phillips e agora está sob custódia policial.

 

Obama afirmou que a coragem do capitão é um "exemplo" para os americanos e assegurou que os EUA estão decididos a frear o aumento da pirataria na região.

 

Somali

 

O presidente da região autônoma somali de Puntlândia, Abdirahman Mohammed Farole, tradicional refúgio de piratas, pediu "ações militares" das forças internacionais que vigiam a área para acabar com esse problema.

 

Farole deu tais declarações em entrevista coletiva concedida em Bosaso, a principal cidade da região, antes do anúncio da libertação do capitão americano Richard Phillips, resgatado ileso em uma operação militar da Marinha dos EUA, na qual morreram três dos quatro piratas que o mantinham como refém.

 

"As ações militares reduzirão a pirataria. Peço aos Governos de cujos países há navios sequestrados a tomar esse tipo de medida em vez de pagar resgates", destacou o governante regional.

 

Farole também mencionou a ação militar da França de sexta-feira, durante a qual um veleiro francês foi resgatado, mas com o prejuízo da morte de um dos cinco reféns.

 

"A ação das forças francesas está de acordo com nossa política para a pirataria", insistiu o presidente de Puntlândia.

 

Atualmente, os piratas somalis têm sequestrados 17 navios com quase 300 tripulantes, dos quais cerca de 100 são filipinos.

 

Organismos de assistência marítima e da ONU calculam que os piratas somalis receberam em 2008 entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões em resgates.

 

O dinheiro foi utilizado para a compra de armamento, equipamento naval e sistemas eletrônicos de navegação e comunicações.

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