REUTERS/Darren Ornitz
REUTERS/Darren Ornitz

Obama diz que EI não poderá ser derrotado enquanto Assad estiver no poder

Em cúpula para combater o grupo jihadista, presidente americano destaca que a derrota do extremismo só será possível com um novo líder

O Estado de S. Paulo

29 Setembro 2015 | 16h04

NOVA YORK - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta terça-feira, 29, que o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) não poderá ser derrotado na Síria se o presidente sírio Bashar Assad não deixar o poder, ponto de divergência com Rússia e Irã.

"Na Síria, derrotar o EI requer, acredito eu, um novo líder", disse Obama durante uma cúpula sobre o combate à facção terrorista e ao extremismo violento, convocada pelos EUA na sede das Nações Unidas.

"Este será um processo complexo, e estamos preparados para trabalhar com todos os países, inclusive Rússia e Irã, para encontrar uma solução política", acrescentou.

Obama se reuniu ontem na ONU com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e ambos ratificaram suas diferenças sobre o papel de Assad no futuro da Síria. Enquanto os americanos exigem um novo líder para garantir uma transição política, os russos defendem o "governo legítimo" do presidente do país.

Diante de mais de cem países reunidos na cúpula sobre o EI, Obama afirmou que os jihadistas "acabarão perdendo porque não têm nada a oferecer além de violência e morte".

"Prevaleceremos, mas isso requer diligência, concentração e um esforço por parte de todos nós", indicou o presidente americano. “A ideologia (extremista) não é combatida com armas, mas sim com boas ideias.”

O presidente disse também que o combate ao extremismo “não é tarefa fácil” e que “não acontecerá da noite para o dia”, mas afirmou: “estou otimista”.

Obama disse ainda que a coalizão internacional, liderada pelos EUA e que conta com mais de 60 países, foi capaz de demonstrar que o EI pode ser derrotado no campo de batalha.

"Eles perderam quase um terço das áreas que controlavam no Iraque. Na Síria, foram expulsos de quase toda a região na fronteira com a Turquia", disse Obama.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que as Nações Unidas podem apoiar o combate ao EI mediante "a um esforço especial para chegar aos jovens, à construção de instituições que verdadeiramente prestem contas e à garantia de que o respeito à lei e aos direitos humanos são inegociáveis".

Ban qualificou o discurso de Obama como visionário e inspirador, e disse que grupos terroristas como Boko Haram e EI “querem acabar com os valores de paz e dignidade humana”. Ele destacou que é preciso haver uma resposta conjunta com relação ao combate do extremismo e agradeceu o comprometimento dos líderes presentes.

Grã-Bretanha. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse hoje que a Grã-Bretanha aceitaria a permanência do presidente sírio, Bashar Assad, no cargo durante um eventual período de transição, mas ressaltou que ele não pode continuar no poder a longo prazo.

“O que a América está dizendo, e com o que concordo, é que é necessária uma transição, mas o que está claro é que no final disso Assad não pode ser o líder da Síria”, declarou Cameron. “Assad é um dos sargentos que recrutam para o Estado Islâmico”.

Na cúpula de combate ao EI, ele destacou que é preciso focar no extremismo por trás das ações. “Combater a ideologia é uma campanha vital”, afirmou.

Outros líderes. O primeiro-ministro iraquiano, Haider Abadi, afirmou que o EI não é uma ameaça apenas aos iraquianos, mas “para todo o mundo”. Já o presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, disse que grupos como o Boko Haram “não seguem o Islã, pois essa é uma religião do bem”. O premiê turco Ahmet Davutoğlu relembrou os conflitos envolvendo membros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e ressaltou que “terrorismo não é religião”.

O primeiro-ministro dos Países Baixos, Mark Rutte, relembrou os ataques à redação do satírico Charlie Hebdo e disse que as organizações terroristas estão crescendo constantemente. Já Matteo Renzi, primeiro-ministro da Itália, ressaltou que muitos dos atentados são feitos contra museus e, portanto, “contra a identidade” dos povos. /EFE e REUTERS

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