Evan Vucci/AP
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Obama diz que espera diplomacia, mas tem forças prontas para atacar a Síria

Presidente pede ao Congresso que adie a votação da autorização para a intervenção militar

Cláudia Trevisan - CORRESPONDENTE, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2013 | 00h21

WASHINGTON - O presidente Barack Obama anunciou nesta terça-feira, 10, que solicitou ao Congresso o adiamento da votação da proposta que autoriza um ataque à Síria, para que seu governo tenha tempo de negociar com a Rússia e o Conselho de Segurança da ONU uma saída diplomática para a crise. Mas assegurou que mantém aberta a possibilidade de uma ação militar contra o regime de Bashar Assad, caso a negociação não dê resultados.

"Eu ordenei às nossas Forças Armadas que mantenham a atual posição de pressionar Assad e estejam em posição de responder caso a diplomacia falhe", declarou Obama em pronunciamento à nação na noite desta terça-feira. "Nos últimos dias, nós vimos alguns sinais encorajadores, em parte em razão da ameaça de ação militar dos Estados Unidos."

"O governo russo indicou sua disposição de se unir à comunidade internacional na pressão para que Assad abra mão de suas armas químicas", afirmou, referindo-se à proposta que prevê a transferência do arsenal sírio para o controle da comunidade internacional. Damasco indicou que aceitaria o plano e poderia aderir ao tratado internacional que bane o uso de armas químicas.

Obama enfrentava a possibilidade quase certa de derrota no Congresso em seu pedido de autorização para atacar a Síria, o que enfraqueceria a posição internacional dos EUA e a pressão que o país exerce sobre Assad, além de representar um golpe para seu capital político dentro do país.

Mas se a ofensiva diplomática falhar, o presidente poderá dizer que esgotou todos os caminhos possíveis para evitar a ação militar, que enfrenta enorme resistência na opinião pública americana.

Apesar de o Conselho de Segurança da Organização da ONU ter cinco membros permanentes, Obama deixou claro que a principal negociação será com Moscou. O presidente disse que enviará o secretário de Estado, John Kerry, para um encontro com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, nesta quarta-feira em Genebra. Paralelamente, ele "continuará" a discutir o assunto com o presidente Vladimir Putin.

"Eu falei com os líderes de dois de nossos principais aliados, França e Grã-Bretanha, e nós vamos continuar a trabalhar juntos em consultas com Rússia e China para elaborar uma resolução no Conselho de Segurança da ONU que obrigue Assad a abrir mão de suas armas químicas e destruí-las sob controle internacional", disse Obama, depois de listar as razões pelas quais o uso desse tipo de armamento representaria uma ameaça à segurança dos EUA.

Resistência popular. O presidente reconheceu no pronunciamento as resistências dos americanos em apoiar mais uma ofensiva militar no Oriente Médio, depois de uma década de guerras no Afeganistão e no Iraque.

Na tentativa de convencer a opinião pública da necessidade de ação, voltou a dizer que ela seria limitada, não envolveria a entrada de tropas na Síria e teria o objetivo único de retaliar Assad pelo suposto uso de armas químicas no dia 21, quando 1.429 pessoas morreram na periferia de Damasco, segundo o serviço de inteligência americano.

Segundo Obama, além de dar tempo para a diplomacia agir, o adiamento na votação do Congresso permitirá que sejam conhecidas as conclusões da investigação de inspetores da ONU sobre o ataque do dia 21.

A possibilidade de negociação foi defendida por congressistas, especialmente pelos que haviam declarado apoio a uma operação cada vez mais impopular. "Talvez isso não tivesse ocorrido se não houvesse a ameaça de um ataque", disse o senador republicano John McCain, um dos maiores defensores da ação contra o regime sírio.

Adversário de Obama na eleição de 2008, ele se declarou "muito cético" em relação a uma saída diplomática, mas disse que seria um "erro" não iniciar uma negociação.

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