Obama diz que está pronto para conversar com Cuba

Os Estados Unidos e Cuba trocaram as mais amáveis palavras hoje em uma série de gestos de boa vontade antes da V Cúpula das Américas, que começará hoje em Trinidad e Tobago. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse em Port of Spain que está pronto para conversar com o governo de Cuba sobre "uma vasta gama de assuntos". "Durante os últimos dois anos, eu disse e hoje repito que estou preparado para engajar minha administração numa série de conversas com o governo cubano, em assuntos como direitos humanos, liberdade de imprensa, reformas democráticas, luta contra as drogas, imigração e questões econômicas", afirmou.

AE-AP, Agencia Estado

17 de abril de 2009 | 21h09

"Me deixem ser claro: eu não quero apenas conversar só por conversar. Acredito que podemos mover as relações entre os EUA e Cuba numa nova direção", disse Obama. Mais cedo, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, afirmou que derrubará uma resolução que excluiu Cuba da entidade em 1962, enquanto a secretária de Estado norte-americana, Hillary Rodham Clinton, elogiou a fala do presidente da ilha caribenha, Raúl Castro, de que seu país está disposto a discutir "todas as coisas" com os Estados Unidos.

O porta-voz do presidente dos EUA, Robert Gibbs, disse, um pouco antes de Obama chegar a Port of Spain, que Cuba agora precisa mostrar gestos de boa vontade. "Certamente, são livres para libertar presos políticos, são livres para não ficar com o dinheiro das remessas, são livres para permitir uma maior liberdade de imprensa", disse Gibbs. Não se esperam resultados imediatos. "É verdade que é um descongelamento, mas é um descongelamento que vai levar tempo. Não espero gestos dramáticos, continua a haver bastante desconfiança", afirmou Michael Shifter, do instituto de estudos Diálogo Interamericano, em Washington.

De acordo com Insulza, a OEA deverá derrubar uma resolução de 1962 que proíbe Cuba de participar do corpo político. Insulza disse que apresentará a proposta em um encontro da organização que acontecerá em Honduras em junho. Se a proposta for aceita, abrirá o caminho para Cuba voltar a fazer parte da OEA, da qual foi expulsa por pressão dos EUA por seu regime "não democrático".

''Sinais''

O presidente de Cuba, Raúl Castro, que participou ontem e também hoje mais cedo de um encontro na Venezuela que reuniu desafetos dos EUA, lembrou que muitas nações latino-americanas favorecem o retorno de Cuba à OEA. Porém, ele informou que seu governo não tem interesse em voltar à organização, a qual ele acredita "tem que desaparecer". Raúl Castro também respondeu a pedidos de Washington por "sinais" de que Cuba está disposta a mudar sua política, ao dizer que sua administração está pronta a conversar com os EUA sobre "direitos humanos, liberdade de imprensa, presos políticos, tudo".

Segundo Hillary Clinton, a posição de Cuba, anunciada na ontem por Raúl, de discutir "todas as coisas" com os EUA, é "muito bem-vinda". "Mandamos dizer ao governo norte-americano em privado e em público que estamos dispostos a discutir tudo: direitos humanos, liberdade de imprensa, presos políticos", afirmou Castro, na Venezuela. No passado, as autoridades cubanas insistiam que a política nacional era um assunto interno.

"Vimos os comentários de Raúl Castro e acolhemos com satisfação essa declaração e a estamos tomando muito seriamente", disse Hillary, durante um encontro com jornalistas na República Dominicana. O porta-voz do presidente norte-americano Robert Gibbs disse que Obama não planeja se reunir com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, durante a cúpula, mas que se o governante latino-americano quisesse, poderia haver uma conversa cortês entre os dois.

Obama e a delegação norte-americana, a maior dos 34 países que participam da V Cúpula das Américas, desembarcaram no final da tarde de hoje em Port of Spain. Obama disse antes que o encontro em Trinidad e Tobago "oferece a oportunidade de um novo começo" para a região. A cúpula está encaminhada para "a criação de emprego, promover o comércio livre e justo e desenvolver uma resposta coordenada para esta crise econômica", avaliou o presidente norte-americano. Com informações da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.