Obama diz que está pronto para estender a mão ao mundo islâmico

Presidente afirma em entrevista a TV árabe que o momento é ideal para que israelenses e palestinos negociem a paz

Reuters, AP, NYT, Dubai, O Estadao de S.Paulo

28 de janeiro de 2009 | 00h00

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, concedeu a uma TV árabe sua primeira entrevista formal no cargo. Obama disse à Al-Arabiya, dos Emirados Árabes Unidos, que os americanos não são inimigos dos muçulmanos, seu governo está pronto para estender uma mão para o mundo islâmico, mas continuará caçando organizações terroristas que matam civis inocentes."Minha mensagem para o mundo muçulmano é a de que os americanos não são seus inimigos", disse Obama. "Às vezes cometemos erros, não somos perfeitos. O mais importante é começarmos a negociar o mais rápido possível."A escolha da Al-Arabiya, uma das maiores redes de TV dirigida ao público árabe (perde em audiência para a rede de TV Al-Jazira, do Catar, mas é considerada mais moderada), mostra o grau de comprometimento de Obama em aproximar os EUA do mundo árabe e muçulmano. Para o presidente, a indicação do ex-senador George Mitchell como seu enviado especial para o Oriente Médio seria parte desse esforço. Mitchell viajou à região na segunda-feira, quando a entrevista foi gravada."Estou enviando George Mitchell para o Oriente Médio e dei a ele uma única orientação: ouça o que todas as partes têm a dizer. Isso muda a posição americana, que tem sido a de ditar soluções para os problemas", afirmou. "Não acho que posso dizer a israelenses e palestinos o que eles devem fazer. Quero acabar com essas concepções prévias que dominaram o debate nos últimos anos." IRÃ Obama disse que os EUA estão prontos para estender uma mão para o Irã. "É importante estarmos dispostos a dialogar com o Irã para expressar de forma clara onde estão nossas diferenças, mas também onde podemos progredir", disse. "Se países como o Irã estiverem dispostos a abrir a mão, encontrarão a nossa estendida."Segundo Obama, o momento também é propício para que Israel e os palestinos retomem as negociações de paz, mas alertou que a questão no Oriente Médio deve ser tratada como um todo. "É impossível pensarmos só em termos do conflito palestino-israelense, e ignorarmos o que se passa na Síria, no Irã, no Líbano, no Afeganistão ou no Paquistão. Essas coisas estão relacionadas."As relações dos EUA com o mundo islâmico pioraram sensivelmente durante os oito anos de governo do ex-presidente George W. Bush, que ocupou o Afeganistão e o Iraque. Durante a campanha, Obama prometeu aproximar-se dos países árabes, retirar os soldados americanos do Iraque e fechar a prisão militar de Guantánamo, em Cuba.De acordo com a rede de TV americana CNN, um dos sinais dessa aproximação seria o desejo de Obama de realizar ainda nos primeiros cem dias de governo, um discurso dirigido especialmente para o mundo islâmico feito em uma capital árabe, ainda não definida.

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