Evan Vucci/AP
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Obama diz que EUA estão prontos para atacar Síria, mas quer aval do Congresso

Congressistas americanos estão em recesso, o que pode retardar ação; EUA acusam Assad de usar armas químicas em ataque que deixou 1.429 mortos no dia 21

Cláudia Trevisan, O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2013 | 09h28

Atualizado às 17h55.

WASHINGTON - O presidente Barack Obama disse neste sábado, 31, que os Estados Unidos estão prontos para atacar a Síria. Em pronunciamento nos jardins da Casa Branca, Obama afirmou que pedirá autorização do Congresso, apesar de acreditar que tem o poder de dar o sinal verde para a operação militar sem o aval dos congressistas. A decisão afasta uma ação iminente contra o regime de Bashar al-Assad, que era esperada para este fim de semana, já que o Congresso está em recesso e só volta à atividade no dia 9 de setembro.  Os EUA acusam o governo sírio de usar armas químicas no ataque - classificado por Obama como o "mais grave do século 21" - que matou 1.429 pessoas em Ghouta, periferia de Damasco, no dia 21 de agosto.

Tendo a seu lado o vice-presidente, Joe Biden, Obama ressaltou que a capacidade do país de executar a "missão" não será afetada pela demora. "Ela será efetiva amanhã, ou na próxima semana, ou dentro de um mês. E eu estou preparado para dar essa ordem." O presidente americano desafiou os congressistas a considerarem "qual a mensagem será enviada a um ditador se ele pode matar centenas de crianças com armas químicas sem sofrer qualquer tipo de retaliação".

Obama afirmou estar convencido de que os EUA devem iniciar uma ação militar contra a Síria e que as Forças Armadas estão "prontas" para agir. Mas ressaltou que sua posição será "mais forte" se houver um debate e a eventual aprovação dos parlamentares para a operação. Existe a possibilidade de que haja uma convocação extraordinária, mas qualquer votação terá de ser precedida de debates, o que traz incerteza sobre quando - e se - o ataque à Síria ocorrerá.

"A todos os membros do Congresso, de ambos os partidos, eu peço que vocês deem esse voto para nossa segurança nacional", declarou. E antecipando as dificuldades que enfrentará, fez um apelo: "Eu peço a vocês, membros do Congresso, que considerem que algumas coisas são mais importantes do que diferenças partidárias e políticas."

O presidente americano anunciou sua decisão dois dias depois de o primeiro-ministro britânico, David Cameron, ter sido derrotado no Parlamento na busca de autorização para agir contra o regime de Bashar al-Assad. Sem o apoio de seu principal aliado, Obama enfrentava uma situação de considerável isolamento internacional. Cameron afirmou neste sábado que apoia a decisão do presidente dos EUA, Barack Obama, que pediu ao Congresso aval para um ataque à Síria. "Entendo e apoio a posição de Barack Obama sobre a Síria", disse Cameron em sua conta no Twitter.

No pronunciamento, Obama disse que estava pronto para agir sem a autorização do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que ele afirmou estar "paralisado", e a conclusão da investigação da missão da instituição sobre o ataque com armas químicas do dia 21 de agosto em Damasco. Os observadores da ONU deixaram a Síria neste sábado.

Mas ele ressaltou que gostaria de ter um debate sobre o assunto com os congressistas. Pesquisa da rede de TV NBC divulgada nesta semana revelou que 80% da população americana acredita que a ação na Síria deve ser precedida de votação no Congresso.

Do lado de fora da Casa Branca, manifestantes contrários à intervenção militar gritavam que a "guerra era justificada por mentiras".

Nessa sexta, relatório divulgado pelo serviço de inteligência dos Estados Unidos concluiu que o ataque com armas químicas foi ordenado pelo regime de Bashar Assad. O documento abriu caminho para o presidente Barack Obama autorizar um ataque ao país. Cinco navios de guerra americanos estão ancorados no leste do Mar Mediterrâneo, prontos para disparar mísseis contra o território sírio.

Antes do pronunciamento de Obama, o primeiro-ministro da Síria, Wael al-Halqi, disse neste sábado que o Exército sírio “está mobilizado” e “tem o dedo no gatilho” para reagir a um ataque dos EUA e aliados. Em um comunicado enviado à TV estatal, o premiê acrescentou que “o Exército está pronto para enfrentar a todos os desafios e ações”.

Também antes de Obama falar, o presidente russo, Vladimir Putin, pediu a seu colega americano, Barack Obama que, como Nobel da Paz, pense nas vítimas que um ataque causará na Síria e exigiu que os EUA apresentem provas do uso de armas químicas pelo governo Bashar Assad. Com agências internacionais
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