Obama diz que EUA irão enfrentar piratas na África

O presidente Barack Obama prometeu hoje que os Estados Unidos trabalharão para conter a crescente ameaça da pirataria na zona do Chifre da África. "Eu quero deixar bem claro que estamos dispostos a barrar o aumento da pirataria na região e para alcançar essa meta teremos que continuar a trabalhar com nossos parceiros para evitar futuros ataques", afirmou Obama. Ele também elogiou a operação de resgate do capitão Richard Phillips, ocorrida ontem, que os piratas mantinham refém. "A segurança dele foi nossa preocupação principal", disse.

AE-AP, Agencia Estado

13 de abril de 2009 | 17h25

"Nós temos que continuar a estar preparados para confrontá-los quando eles aparecerem e temos que garantir que os que cometem atos de pirataria sejam responsabilizados por seus crimes", afirmou. O presidente norte-americano elogiou os envolvidos na operação de resgate e também a "coragem e liderança" de Phillips, que demonstrou, segundo Obama, uma "preocupação altruísta por sua tripulação".

A morte de três piratas somalis, no dramático resgate da Marinha dos EUA, levantou preocupações em outros reféns de que possa aumentar o risco de futuros sequestros na movimentada rota marítima no Oceano Índico. O resgate de Phillips ocorreu dias após um tiroteio no mar deflagrado por comandos da França que atacaram uma embarcação mantida pelos piratas, mataram dois deles e libertaram quatro reféns franceses. O proprietário do navio, também francês, morreu no confronto.

Especialistas indicam que a pirataria no Oceano Índico, nas proximidades da Somália, entrou em uma nova fase, após o resgate de Phillips. O Birô Marítimo Internacional afirmou hoje que apoia a ação de França e EUA, mas advertiu sobre a possibilidade de retaliação por parte dos piratas. "Nós aplaudimos a ação de EUA e França. Sentimos que eles estão executando a medida correta, ainda que os resultados às vezes possam ser daninhos", disse Noel Choong, do centro de pirataria do órgão na capital malaia, Kuala Lumpur.

Familiares dos 228 sequestrados, que estão em 13 diferentes navios ainda mantidos pelos piratas, temem vingança. "Os libertados têm sorte, mas e os que permanecem presos?", questionou Vilma de Guzmán, mulher do marinheiro filipino Ruel de Guzmán. Ele e outros 22 filipinos são mantidos em poder dos criminosos desde 10 de novembro. A operação de resgate norte-americana "pode ser prejudicial para os reféns restantes, porque os piratas podem voltar sua fúria contra eles".

Até agora, os piratas somalis nunca feriram reféns estrangeiros, exceto um taiwanês morto em circunstâncias ainda não explicadas. Na verdade, muitos dos ex-reféns dizem ter sido bem tratados e fartamente alimentados enquanto os resgates eram negociados. Os piratas vinham operando quase sem restrições no Golfo do Áden, no norte somali, até a criação de uma força multinacional para coibir os crimes. Agora, eles também atuam mais ao sul do país.

Choong aponta que ocorreram 74 ataques neste ano, com 15 sequestros. Em todo o ano passado, foram registrados 111 sequestros. Aproximadamente 20 mil navios mercantes passam pelo Golfo do Áden anualmente, rumo ao Canal de Suez.

A operação norte-americana, na qual atiradores de elite mataram três piratas e prenderam um quarto, é o atual foco de controvérsia. "De agora em diante, se capturamos navios estrangeiros e seus respectivos países tentarem nos atacar, nós os mataremos", afirmou por telefone Jamac Habeb, de 30 anos, que se identificou como um pirata, falando da cidade de Eyl. "Nós retaliaremos a morte de nossos homens", afirmou Abdullahi Lami, um dos piratas que mantêm um navio grego sob poder.

Congressista

O deputado norte-americano Donald Payne, um democrata representante de New Jersey, se encontrou hoje com o presidente da Somália, o xeque Sharif Sheikh Ahmed, e com o primeiro-ministro, Omar Abdirashid Ali Sharmarke. Eles discutiram o problema da pirataria e também iniciativas de segurança e cooperação entre Somália e EUA. Payne é presidente do subcomitê de Relações Exteriores para África da Câmara dos Representantes.

Na capital Mogadiscio, morteiros foram disparados em direção ao aeroporto da cidade enquanto o avião que levava o congressista partia. A decolagem ocorreu em segurança e Payne não foi ferido, segundo um funcionário do local. Falando da torre de controle, por telefone, o funcionário afirmou que nenhum dos seis morteiros disparados chegou a atingir o aeroporto.

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