Obama diz que EUA serão sempre um país 'AAA'

Presidente minimiza avaliação de agência, que rebaixou títulos do país.

BBC Brasil, BBC

08 de agosto de 2011 | 16h24

O presidente americano, Barack Obama, tentou passar uma mensagem de confiança aos americanos nesta segunda-feira, dizendo que os problemas econômicos do país "têm solução iminente".

Durante seu discurso, Obama minimizou a posição da agência Standard & Poors, que na última sexta-feira a nota da dívida dos Estados Unidos, prolongando a turbulência no mercado financeiro, que começou a semana em baixa.

"Não precisamos de uma agência para nos dizer que temos de fazer. Os Estados Unidos sempre foram e sempre serão um país AAA", disse Obama, em referência à nota máxima de classificação.

Durante o pronunciamento, o índice Dow Jones, da bolsa de Nova York, operava em baixa de mais de 3%. Na Ásia e na Europa as bolsas também fecharam em baixa. Na Bovespa, o pregão chegou a operar a menos de 5%.

Obama reafirmou a proposta democrata para a taxação dos mais ricos como meio de redução do déficit, que não foi aceita no plano acordado com os republicanos na última semana, durante as negociações para a elevação do teto da dívida.

Na última semana, o Congresso americano aprovou o plano para elevação do teto, que impediu um calote inédito do governo. Uma comissão formada por republicanos e democratas seguirá discutindo medidas que visem o corte dos gastos para o equilíbrio orçamentário do país.

Segundo Obama, "não há muito espaço para corte" em gastos sociais, como querem os republicanos. O presidente defendeu, ainda, a desoneração da folha de pagamento, "para colocar dinheiro no bolso (dos trabalhadores) e clientes nas lojas".

Segundo o presidente, parte da crise é consequência de problemas "que não podem ser controlado", como o terremoto no Japão, a subida dos preços do petróleo e a Primavera Árabe.

Turbulência

O rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos de "AAA" para "AA+" pela agência Standard & Poors espalhou turbulência nos mercados internacionais nesta segunda-feira.

Em Londres, o pregão fechou com queda de 3,39%. Em Frankfurt, baixa de 5,02%. O índice Nikkei, do Japão, caiu 2,4%, enquanto a bolsa da Coreia do Sul teve queda de 5%, e Hong Kong, de 4%.

A decisão da S&P pode aumentar os custos de empréstimos por parte do governo dos Estados Unidos. Também pode trazer reflexo para os credores do país, em especial a China, que fez duras críticas aos americanos. A imprensa estatal chinesa chegou a sugerir a substituição do dólar por outra moeda de referência.

No final de semana, o G7, o grupo das sete maiores economias mundiais, anunciou que tomará todas as medidas necessárias para garantir estabilidade financeira diante da crise provocada pelas dívidas dos Estados Unidos e dos países da zona do euro.

Nesta segunda-feira, os países do G20, o bloco formado pelas principais economias mundiais e as mais importantes economias emergentes, se comprometeu a tomar ações para assegurar a estabilidade dos mercados e o crescimento econômico mundial.

Na Europa, o Banco Central europeu anunciou que irá comprar os títulos da dívida da Itália e da Espanha, na tentativa de deter o contágio da crise na zona do euro, que já levou ao resgate de Irlanda, Portugal e duas vezes da Grécia.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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