Obama diz que Israel tem direito de se defender, mas alerta contra invasão a Gaza

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, ouviu ontem de seu colega americano, Barack Obama, e de líderes europeus alertas para que não invada por terra a Faixa de Gaza. Em visita à Ásia, Obama disse ser "preferível" restringir a operação militar a ataques aéreos. O chanceler britânico, William Hague, chegou a dizer que uma invasão por terra "comprometeria o apoio e a simpatia" internacional com Israel na luta contra o Hamas.

ROBERTO SIMON, ENVIADO ESPECIAL, ASHKELON, ISRAEL, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2012 | 02h04

Tanto o governo americano quanto o britânico vêm afirmando que o governo israelense "tem o direito de defender" sua população e a culpa pela crise recai sobre o Hamas. Os alertas de Washington e Londres representam um sinal amarelo até agora inédito a Netanyahu, que garantiu ontem ao seu gabinete estar pronto para "expandir significativamente" a operação militar.

A pressão externa sobre o governo israelense veio à tona no mais mortífero dos cinco dias da ofensiva contra Gaza. Pelo menos 29 palestinos - incluindo 14 mulheres e crianças - morreram ontem em bombardeios a Gaza, segundo fontes médicas locais. Do outro lado, cidades do sul de Israel e Tel-Aviv voltaram a ser alvo de mais de cem foguetes e de dois mísseis.

Ao todo, 66 palestinos e 3 israelenses morreram nos 5 dias de violência em Gaza. Estima-se que centenas estejam feridas e em estado de choque em razão dos bombardeios e disparos de foguetes.

A crise em Gaza entra em um momento decisivo. Israel mobilizou 75 mil reservistas - na invasão de quatro anos atrás, convocou menos de 10 mil - e uma ampla força israelense está pronta para invadir o território palestino. Ontem, ao viajar nas estradas do sul do país, o Estado passou por vários blindados que seguiam rumo à fronteira com Gaza. Mas, ao mesmo tempo, negociações de bastidores sobre um cessar-fogo vêm se intensificando no Cairo, com a participação de um emissário do premiê de Israel (mais informações nesta pág).

Na imprensa israelense, comentaristas afirmam que Netanyahu faria uma aposta arriscada em invadir por terra o território palestino a menos de dois meses das eleições.

Segundo a BBC, doze pessoas, incluindo "várias crianças", morreram em um bombardeio à casa de um dos líderes do Hamas, Mohamed Dalou. O local foi reduzido a uma pilha de escombros. "O massacre da família Dalou não passará impunemente", prometeu em comunicado o braço armado do Hamas.

A facção islâmica tentou incentivar as pessoas a retomar a vida normal a partir do domingo, o primeiro dia útil da semana no Oriente Médio, mas, segundo testemunhas ouvidas pelo Estado, poucos civis se atrevem a botar os pés para fora de casa no território. O local mais movimentado é o Hospital Shifa, o maior de Gaza, para onde o corpo de Dalou foi levado ontem.

Israel vem ampliando sua lista de alvos em Gaza. Inicialmente, os ataques concentraram-se em instalações do braço armado do grupo e de outras facções radicais que operam no território. No fim de semana, prédios de uso político, como o do Ministério do Interior e a residência do premiê Ismail Hanyie foram atacados.

Pelo menos duas pessoas ficaram feridas por disparos de foguetes contra o sul de Israel. O território israelense foi atingido por 76 projéteis e 38 foram interceptados ainda no ar, segundo informações do Exército. Estima-se que o sistema anti-mísseis de Israel, conhecido como Domo de Ferro, tenha derrubado 40% dos foguetes de militantes palestinos.

Tudo o que sabemos sobre:
Paz inatingível

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.