REUTERS/Jonathan Ernst
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Hipótese provável é de terrorismo doméstico, afirma Obama

Presidente americano deu as declarações depois de se reunir com sua equipe de segurança nacional na Casa Branca para conhecer os últimos avanços da investigação do massacre, no qual morreram 49 pessoas e o atirador

Cláudia Trevisan ENVIADA ESPECIAL / ORLANDO, O Estado de S. Paulo

13 Junho 2016 | 14h32

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta segunda-feira, 13, que não há nenhuma prova de que o atirador que matou 49 pessoas em uma boate gay de Orlando tinha ligação direta com o Estado Islâmico (EI). Na avaliação da Casa Branca, a ação parece ser um caso de terrorismo doméstico inspirado por propaganda extremista disseminada na internet.

Pouco antes de abrir fogo contra cerca de 300 pessoas reunidas na casa noturna Pulse, o americano Omar Mateen declarou lealdade ao EI em uma ligação ao número de emergência 911. “Neste momento, nós não vemos nenhuma indicação de que ele foi dirigido externamente”, declarou Obama depois de se reunir com representantes do FBI e de outras agências que investigam o caso.

Segundo o presidente, a ação do americano filho de imigrantes afegãos parece ser semelhante à do casal da Califórnia que matou a tiros 14 pessoas em San Bernardino, há seis meses. O EI estimula seguidores ao redor do mundo a agir por conta própria, sem necessidade de ordens ou instruções do comando. A única exigência é a declaração de lealdade à organização.

Para Obama, a propaganda do grupo jihadista e sua capacidade de provocar ações como as de Mateen são desafios que seu governo e a sociedade americana enfrentam. “Combater essa ideologia extremista (internamente) será tão importante quanto assegurar que nós estamos destruindo planos engendrados a partir do exterior.”

Em seu pronunciamento, Obama voltou a defender restrições à venda de armas. O atirador de Orlando comprou de maneira legal o fuzil semiautomático que utilizou. O presidente afirmou que os EUA terão de pensar nos riscos de ter regras tão frouxas sobre armas com grande capacidade destrutiva.

Obama afirmou que o debate não deve ser binário, no qual um evento é tratado ou como um ataque terrorista ou um tiroteio em massa. “A sugestão é que se nós pensamos em alguma coisa como terrorismo, nós ignoramos os problemas associados ao fácil acesso a armas ou se é só sobre armas, nós ignoramos o papel, o real papel que organizações como o ISIL têm em gerar visões extremistas dentro desse país”, observou Obama, usando uma sigla alternativa para se referir ao EI. 

Ataque. As autoridades de Orlando revelaram mais detalhes sobre as cerca de três horas que Marteen permaneceu na Pulse, antes do local ser invadido por policiais. Depois de um ataque inicial que atingiu a maioria das vítimas, o atirador ficou “calmo” enquanto falava por telefone com agentes que estavam do lado de fora. O chefe da polícia de Orlando, John Mina, disse que Mateen reiterou nas conversas sua lealdade ao EI e se referiu aos autores do atentado contra a Maratona de Boston, realizado em 2013.

Mateen também disse que tinha uma bomba, o que se revelou ser falso. A polícia decidiu invadir o local quando o atirador passou a dar declarações que indicavam a possibilidade de ataques às pessoas que permaneciam como reféns. Ainda não está claro se houve mortes durante a entrada da polícia. 

Mateen foi investigado em duas ocasiões pelo FBI nos últimos três anos. Em ambos os casos, os agentes não encontraram indícios suficientes para incriminá-lo. O atirador trabalhava desde 2007 em uma empresa de segurança e tinha licença para portar armas. O fuzil utilizado, o AR-15, é a versão civil do militar M-16.

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