Venezuelan Presidency via The New York Times
Venezuelan Presidency via The New York Times

Obama diz que não tratou Hugo Chávez como inimigo quando chegou ao poder

Em entrevista à revista 'The Atlantic', líder americano afirma que não via o falecido presidente venezuelano como 'ameaça' para os EUA

O Estado de S. Paulo

11 de março de 2016 | 10h09

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou na noite de quarta-feira, 10, que decidiu no começo de seu primeiro mandato a não tratar o então presidente venezuelano, Hugo Chávez, como um "grande adversário" porque não via como uma "ameaça" e isso ajudou a reduzir o sentimento antiamericano na região.

"Quando cheguei ao poder, na primeira Cúpula das Américas que participei (em 2009), Chávez era uma figura dominante nas conversas" da América Latina, afirmou Obama em entrevista publicada pela revista The Atlantic.

"Tomamos uma decisão estratégica bem no começo (da minha presidência), que consistiu em ao invés de encará-lo como um adversário gigante de 3 metros de altura, dar a esse problema as dimensões que merecia e dizer: 'não gostamos do que está acontecendo na Venezuela, mas isso não é uma ameaça para os Estados Unidos'", disse Obama.

"No momento que vi Chávez (na Cúpula das Américas), lhe estendi a mão e ele me entregou uma crítica marxista da relação entre os EUA e a América latina", relatou o presidente, se referindo ao livro "As Veias Abertas da América Latina", de Eduardo Galeano.

O presidente americano também recordou que no mesmo encontro teve que escutar o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega "discursar contra os Estados Unidos durante uma hora". Obama assegurou, porém, que o "fato de estarmos lá e não levarmos a sério todas essas coisas porque realmente não os considerávamos uma ameaça" ajudou a diminuir o sentimento antiamericano na região.

Nesse sentido, o assessor adjunto de segurança nacional da Casa Branca, Ben Rhodes, disse para a revista que quando Obama chegou ao poder, "Hugo Chávez, Evo Morales e as forças antiamericanas da região tinham muito peso, em parte porque os EUA desempenhavam o papel que eles queriam".

"Ao retiramos deles essa argumentação, essa disputa ideológica, conseguimos acabar com a lógica usada como base nos discursos desses líder antiamericanos", disse Rhodes.

O especialista apontou ainda que o restabelecimento de relações diplomáticas com Cuba melhorou ainda mais a relação com o continente, já que a política anterior "estava prejudicando os EUA na América Latina e no mundo". / EFE

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