Obama diz que objetivo na Líbia não é derrubar Khadafi

Durante coletiva no Chile, presidente dos EUA afirma que coalizão pretende defender civis.

Marcia Carmo, BBC

21 de março de 2011 | 18h12

Obama disse que EUA e Chile têm muito a fazer juntos

O presidente americano, Barack Obama, disse nesta segunda-feira que retirar o líder líbio Muamar Khadafi do poder continua a ser parte importante da política externa americana, mas que o objetivo principal da ofensiva militar no país africano é proteger os civis líbios, não afastar Khadafi.

As afirmações foram feitas durante uma coletiva na capital chilena, Santiago, para onde Obama e sua família partiram após dois dias de visita ao Brasil.

"Já deixei claro que Khadafi precisa deixar o poder. Mas nossa ação militar apoia a decisão do Conselho de Segurança que tem como foco a ameaça humana que Khadafi está impondo a seu povo. Ele não apenas está assassinando os civis, mas também ameaçando fazer muito mais."

Representantes dos países que integram a coalizão militar na Líbia já haviam afirmado que Khadafi não era, pessoalmente, o alvo dos ataques.

Comando da operação

Obama disse ainda que "em questão de dias, não de semanas" os Estados Unidos pretendem transferir o comando das operações militares na Líbia para outros países da coalizão.

"Obviamente, a situação está evoluindo e essa transferência será determinada pela recomendação de nossos comandantes sobre quando essa primeira fase for concluída."

O presidente americano também ressaltou que os Estados Unidos não atuaram de forma autônoma ou isolada como ocorreu no passado.

"Atuamos em conjunto com outros países, de acordo com o Conselho de Segurança", disse Obama, acrescentando que ele não queria que essa decisão fosse um peso para a sociedade americana.

Passado do Chile

Durante a entrevista, ele também garantiu que os Estados Unidos estão dispostos a cooperar com informações sobre a suposta participação do governo americano no golpe de 1974 no Chile, no qual o general Augusto Pinochet chegou ao poder, e sobre o homicídio do ex-presidente Salvador Allende.

"Vamos considerar e colaborar caso seja feita qualquer solicitação por parte do governo chileno para obter mais dados sobre o passado."

"Acho importante que todos saibamos nossa história. E a história entre os Estados Unidos e a América Latina foi por vezes extremamente difícil, mas não podemos ficar presos ao passado. Porque temos muito a desenvolver juntos com o Chile e toda a América Latina."

Um grupo de deputados chilenos e de parentes de vítimas da ditadura pediu ao governo americano que fizesse um "mea culpa" por seu papel durante o período.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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