Obama diz que sistema de saúde é crucial

Líder quer reforma até final do ano para ajudar a reconstruir economia

Gustavo Chacra com New York Times, O Estadao de S.Paulo

23 de julho de 2009 | 00h00

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pretende aprovar a reforma do sistema de saúde ainda neste ano, apesar de todos os obstáculos que terá de enfrentar no Congresso americano. Caso contrário, afirmou, será complicado superar a crise econômica.Em discurso seguido de entrevista coletiva sobre a reforma, considerada um dos temas mais importantes da agenda doméstica dos EUA, Obama disse ter pressa por causa das cartas que recebe todos os dias "de famílias que sofrem com a falta de um seguro saúde". Além disso, segundo o presidente, "se você não estabelece um cronograma, nada acontece nesta cidade (Washington). Tudo se move por inércia"."Enquanto resgatamos a economia de uma crise de grandes proporções, devemos reconstruí-la mais forte que antes. E a reforma do sistema de saúde é um ponto vital nesse esforço."Um dos problemas, para Obama, será convencer senadores democratas e republicanos a aprovar a reforma de uma maneira acelerada. O apoio ao plano também diminuiu entre a população americana, de acordo com pesquisas, deixando claro os riscos políticos para o presidente, que coloca a reforma como uma das suas principais prioridades. Um fracasso, afirmam analistas, pode ter um grave custo político para Obama.Do lado democrata, há os que se opõe por considerar o plano menos do que o esperado. Outros questionam a forma como será financiado. Os republicanos dizem que a reforma fará explodir o déficit.O presidente deixou claro que pretende ouvir outras propostas. Mas, na sua visão, o ideal, para não aumentar os custos para o governo e o imposto para a classe média, seria limitar as deduções para as classes mais altas. Isto é, os ricos bancariam com o custo da reforma. "Obama transformou a reforma numa questão pessoal. Por estarmos no início do mandato, o resultado da disputa deve definir seus próximos anos no cargo", disse Tom Daschle, ex-líder dos democratas no Senado.Do lado republicano, os congressistas se perguntam se Obama vai sucumbir à tentação de transformar a reforma da saúde numa disputa partidária, mesmo enquanto os corteja. Afinal, ele ainda é um presidente novo e popular, confrontando um impopular Partido Republicano. Assim seria fácil para ele tratar os republicanos como obstrucionistas.Quanto aos democratas, Obama enfrenta o dilema do equilíbrio de poder. Inicialmente ele disse que estabeleceria princípios amplos para a lei e deixaria que o Congresso se ocupasse dos detalhes.Hoje, segundo Obama, dois terços do custo com a reforma do sistema de saúde poderia ser bancado apenas com a realocação de recursos. O problema está no outro um terço. O objetivo, diz o presidente, é que 97% dos americanos tenham seguro. Atualmente, 47 milhões de pessoas não estão seguradas. REFORMA DA SAÚDEO que é - Uma das principais plataformas eleitorais de Obama, projeto prevê expandir a cobertura do sistema público de saúde para 97% dos americanos; o custo para o governo será de mais de US$ 1 trilhão em dez anosCríticas - Apesar de reconhecer que o sistema atual está falido, muitos conservadores consideram a reforma de Obama ?socialista? e insistem que a livre concorrência de empresas privadas deve continuar a ser a base do setorLobby - Desde o fim da 2.ª Guerra, presidentes tentam sem sucesso alterar o sistema atual, extremamente lucrativo para companhias de seguro saúde; americanos gastam 16,5% do PIB com saúde

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