Stephen Crowley/The New York Times
Stephen Crowley/The New York Times

Obama diz que Trump explora ressentimento da classe trabalhadora

Presidente afirma que parte das críticas à sua presidência derivam do fato de ele ser o primeiro presidente negro do país

O Estado de S. Paulo

21 de dezembro de 2015 | 15h57

WASHINGTON - O presidente americano, Barack Obama, disse nesta segunda-feira, 21, que o pré-candidato republicano à presidência Donald Trump está explorando o ressentimento e a ansiedade de parte da classe trabalhadora americana para impulsionar sua campanha. O presidente também afirmou que parte das críticas à sua presidência derivam do fato de ele ser o primeiro presidente negro do país.

Segundo Obama, mudanças demográficas e econômicas - entre elas o achatamento no salário e na renda - tem prejudicado em particular os trabalhadores do setor industrial do país, que já não têm o mesmo poder de barganha para ampliar seus benefícios como podiam fazer décadas atrás. 

"Se você combina tudo isso, haverá uma raiva, frustração e medo em potencial - algumas vezes justificáveis, mas mal direcionadas", disse Obama. "Acredito que alguém como o senhor Trump tira vantagem dessa situação. É o que ele tem explorado ao longo da campanha."

As declarações do presidente foram a última e mais dura resposta a Trump, que depois do massacre de San Bernardino, na Califórnia, defendeu que muçulmanos fossem impedidos de entrar nos Estados Unidos. 

Na entrevista, Obama ainda defendeu sua política de combate ao Estado Islâmico - grupo militante que atua na Síria e Iraque e tem lançado atentados contra alvos ocidentais. "O Estado Islâmico não é uma ameaça à existência dos Estados Unidos, mas fui legitimamente criticado por não conseguir explicar adequadamente nosso plano de ação", disse. 

O presidente também disse que Trump capitalizou em cima do temor que alguns eleitores têm sobre ele, que decorrem do fato de ele ser negro. "Se você se refere a correntes específicas do Partido Republicano que sugerem que, de alguma maneira sou diferente, muçulmano, desleal ao país - e infelizmente são bastante divulgadas , foram  articuladas por representantes eleitos republicanos e tem relevância em círculos do partido -, o que eu diria é que isso é especificamente sobre mim, quem eu sou e de onde eu venho", disse Obama. "De algum modo, eu posso representar mudanças que os preocupam, o que não quer dizer que todo mundo que discorda de mim não tenha boas razões para isso." / NYT

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