AP Photo/Pablo Martinez Monsivais
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Obama acusa Putin por ciberataques nas eleições dos EUA

Na última entrevista do ano, o presidente americano fez um ataque feroz contra a Rússia, a chamando de um país menor e mais fraco que os EUA, que 'não produz nada que os outros queiram comprar, com exceção de petróleo, gás e armas'

O Estado de S. Paulo

16 Dezembro 2016 | 18h38

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sugeriu de forma forte nesta sexta-feira, 15, que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, supervisionou pessoalmente as ocorrências hackers contra emails do Partido Democrata, ações que autoridades de inteligência americanas disseram que tinham como objetivo ajudar o republicano Donald Trump a vencer a eleição de 8 de novembro.

Numa entrevista coletiva de fim de ano à imprensa, Obama fez um ataque feroz contra a Rússia, a chamando de um país menor e mais fraco que os Estados Unidos, que “não produz nada que os outros queiram comprar, com exceção de petróleo, gás e armas”.

O comentário mostrou o que Obama chamou de “tristemente deteriorada” relação entre Washington e Moscou, que também têm divergências sobre a guerra civil na Síria.

Perguntado se Putin estaria envolvido pessoalmente nas ações hackers, Obama declarou que “isso aconteceu nos níveis mais altos do governo russo” e “não muita coisa acontece na Rússia sem Vladimir Putin”.

Contudo, Obama acrescentou que também queria dar mais tempo para que a inteligência americana produzisse um relatório previsto para ficar pronto antes de ele deixar a Casa Branca em 20 de janeiro e de Trump assumir como seu sucessor.

Ele afirmou: “A inteligência que eu vi me dá grande confiança de que os russos realizaram essa ação hacker, a ação no DNC (o Comitê Nacional Democrata) e a ação com John Podesta”, que era o principal assessor de campanha da candidata a presidente democrata, Hillary Clinton.

Obama afirmou ter alertado Putin em setembro para parar de se intrometer nas campanhas políticas americanas, dizendo ao presidente russo para “cortar isso” durante um encontro que tiveram na reunião do G20 na China.

A Rússia nega as acusações americanas de que agiu contra os emails de democratas.

Os emails continham informações constrangedoras, incluindo conversas entre importantes assessores de Hillary que se mostraram chocados sobre a extensão do uso que ela fez de um servidor privado de email quando secretária de Estado.

FBI E CIA. Duas importantes autoridades de governo disseram à Reuters que o FBI dá apoio à visão da CIA de que a Rússia interviu para ajudar Trump a ganhar a eleição presidencial.

Obama deixou o caminho aberto para uma retaliação contra os russos para desencorajar a Rússia e outros países a realizar novas ações hackers.

O presidente declarou que esperava que Trump também se preocupasse com as ações da Rússia e a investigação não deveria se tornar um “futebol político” entre republicanos e democratas.

Trump tem dito que venceu a eleição justamente e se irritou com as sugestões de que Moscou teria influenciado o resultado. Contudo, durante a acirrada campanha eleitoral, ele publicamente incentivou a Rússia a realizar ações contra emails de Hillary.

O empresário de Nova York falou de forma elogiosa durante a campanha sobre Putin e desde que venceu a eleição escolheu alguns integrantes para o próximo governo com laços com a Rússia.

Ao mesmo tempo que Obama disse haver tido conversas construtivas com Trump desde a eleição e enfatizado que faria tudo para assegurar uma transição tranquila, o presidente de saída tem criticado os republicanos de forma geral.

Referindo-se a pesquisas que mostram que mais de um terço dos republicanos aprovam Putin, Obama disse que o ícone conservador Ronald Reagan “iria se revirar no túmulo”. / REUTERS 

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