Obama e 'Bibi' aprenderam algo sobre 'realidades'?

Barack Obama e Binyamin Netanyahu passaram seis dias discursando um para o outro sobre as "realidades" do Oriente Médio. Conseguiram chamar a atenção do mundo para suas divergências sobre um futuro Estado palestino e a recíproca animosidade. Vale a pena perguntar: realizaram alguma coisa positiva?

Jackson Diehl, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2011 | 00h00

Vamos começar com o que não conseguiram. Longe de possibilitar uma retomada do processo de paz, Obama e Netanyahu asseguraram que o processo continuará moribundo nos próximos meses. Os palestinos reconfirmaram seus planos de levar o caso para a Assembleia-Geral das Nações Unidas em setembro, criando um novo governo apoiado pelo Fatah, de Mahmoud Abbas, e o Hamas.

Partidários de Obama e Netanyahu poderão afirmar que a intenção dos dois dirigentes nunca foi agradar um ao outro, ou convencer os palestinos. Na verdade, seus alvos eram limitados e indiretos. Seguindo esse raciocínio, o alvo real de Obama era os países europeus, enquanto o de Netanyahu era o Congresso dos Estados Unidos.

Obama está preocupado com a Europa, pois os votos desses países é que determinarão se os EUA estarão isolados com Israel, opondo-se a uma possível declaração da ONU de um Estado palestino, em setembro. Ao afirmar o princípio de um acordo estruturado nas fronteiras de 1967, e mostrando disposição de enfrentar Netanyahu, Obama conquistou alguma simpatia dos europeus.

O objetivo de Netanyahu era outro - conseguir apoio do Congresso para as condições de paz apresentadas por Israel, em vez de as oferecidas por Obama. O israelense foi ovacionado quando declarou que Israel jamais retornará às fronteiras de 1967 e os refugiados palestinos não retornarão a Israel. Para os israelenses, as ovações representaram uma vitória. Uma autoridade afirmou que Netanyahu conseguiu 28 pontos, comparado com os 26 obtidos por Obama quando do seu último discurso sobre o Estado da União.

É COLUNISTA DO "WASHINGTON POST"

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