Obama é criticado por ação contra Bin Laden

Ex-fuzileiro naval, que lançará livro sobre operação na semana que vem, diz que presidente usou morte do terrorista para obter ganhos políticos

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2012 | 03h05

O ex-fuzileiro naval que participou da operação para matar Osama bin Laden critica o presidente Barack Obama pelo uso político do episódio em seu livro Não há dia fácil, que será lançado na semana que vem. Na obra, ele também não poupa o terrorista por sua covardia ao "não lutar contra os militares americanos".

"Nenhum de nós era grande admirador de Obama. Nós o respeitávamos como comandante-chefe das Forças Armadas e por ter autorizado a missão", escreveu o autor sob pseudônimo de Mark Owen, mas já identificado pelas autoridades americanas como Matt Bissonnette.

A operação para matar Bin Laden é uma das maiores conquistas do atual governo democrata. O encontro com o presidente também foi alvo de ironias do autor, que alfinetou o vice Joe Biden.

Segundo Bissonnette, "Biden contava piadas sem graça que ninguém entendia. Parecia um bom sujeito, mas me lembrava um tio bêbado na ceia de Natal". Obama também teria chamado a equipe "para tomar uma cerveja" na Casa Branca, mas o convite nunca foi feito realmente.

"É claro que a missão está sendo usada na disputa política. A operação jamais teve qualquer relação com isso para os 24 homens que subiram a bordo dos helicópteros naquela noite. Fazer política é para Washington, para as autoridades que, em segurança, assistiram ao desenrolar da ação num monitor de vídeo, a milhares de quilômetros", escreveu Bissonnette.

De acordo com ele, quando embarcaram nos helicópteros em Jalalabad, a política era a menor das preocupações. "Não me entendam mal. Não é que fôssemos indiferentes à política partidária. Sabíamos o que iria acontecer. Isso teve alguma influência no resultado? Claro, mas acho que pouco importa se a ordem foi dada por um republicano ou por um democrata. Não é o que me fará votar nesse ou naquele partido." Um de seus colegas de missão teria sido irônico. "Ajudamos a reeleger esse sujeito", em referência a Obama.

Bin Laden, no livro, é descrito como um covarde. "Ele nem sequer esboçou defesa. Não tinha intenção de lutar. Pediu aos seguidores, durante décadas, que vestissem coletes suicidas ou atirassem aviões contra prédios, mas nem sequer foi pegar sua arma. Eu tinha mais respeito por Ahmed al-Kuwaiti na casa de hóspedes, porque pelo menos ele tentou defender a si e a sua família", disse o autor.

A versão de que Bin Laden não teria reagido contradiz a oficial. Um dos motivos para publicar o livro, segundo ele, "foi dizer a verdade". "Até agora, o que se informou sobre a missão para matar Bin Laden está errado. Mesmo os que alegam ter tido acesso a informações exclusivas estão incorretos. Eu me sentia como se tivesse a obrigação de contar a história verdadeira."

Processo. O Pentágono anunciou ontem que processará o autor do livro. Segundo advogados do Departamento de Defesa dos EUA, o ex-fuzileiro assinou com a Marinha, em 2007, um acordo no qual jamais poderia divulgar informações secretas.

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